Fake News tem Estatística? Checando os Números que Enganam

Desenvolvida por: Audeni… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Matemática – Estatística básica
Temática: Letramento estatístico, pensamento crítico e responsabilidade digital

Essa atividade nasceu de uma pergunta simples: por que tantas fake news convencem tanta gente? Boa parte da resposta está nos números. Gráficos com eixos cortados, médias que escondem extremos, percentuais sem contexto — a estatística mal usada é uma das ferramentas favoritas de quem quer enganar. A ideia aqui é colocar os alunos do 3º ano no papel de investigadores que vão desmontar essas armadilhas.

Na primeira aula, os estudantes recebem um conjunto de materiais reais: manchetes de jornais, posts de redes sociais e infográficos que usam dados de forma distorcida. Em grupos, eles analisam cada peça e tentam identificar onde está a manipulação — se é no gráfico, no percentual, na média ou na forma como o dado foi apresentado. O professor conduz uma discussão coletiva para sistematizar os tipos de distorção mais comuns e mostrar como a estatística pode ser usada tanto para informar quanto para enganar.

Na segunda aula, cada grupo escolhe uma fake news com base estatística e produz uma análise crítica completa: identifica o erro, corrige os dados com base em fontes confiáveis e apresenta os resultados para a turma. Essa etapa exige que os alunos pesquisem, argumentem e comuniquem suas descobertas com clareza — habilidades essenciais tanto para o ENEM quanto para a vida fora da escola.

A atividade conecta estatística básica com temas do mundo real, como desinformação, saúde pública, política e economia. Os alunos saem da aula sabendo ler um gráfico com olho crítico, questionar percentuais e entender que números, sem contexto, podem dizer qualquer coisa. Esse é o tipo de aprendizado que fica.

Objetivos de Aprendizagem

O foco principal dessa atividade é desenvolver o letramento estatístico de forma aplicada. Os alunos vão aprender a ler dados não apenas como valores matemáticos, mas como argumentos que podem ser honestos ou manipuladores. A ideia é que, ao final das duas aulas, eles consigam olhar para qualquer gráfico ou percentual e fazer as perguntas certas: de onde vem esse dado? O que ele está escondendo? Quem se beneficia dessa leitura? Esse olhar crítico conecta a matemática com a cidadania digital e prepara os estudantes para navegar num mundo saturado de informação.

  • Identificar distorções estatísticas em gráficos, médias e percentuais presentes em materiais midiáticos reais.
  • Compreender como escolhas na apresentação de dados podem induzir interpretações falsas ou enganosas.
  • Aplicar conceitos de estatística básica para corrigir dados manipulados e propor representações mais honestas.
  • Desenvolver postura crítica diante de informações numéricas veiculadas em redes sociais e meios de comunicação.
  • Comunicar análises estatísticas de forma clara e fundamentada para colegas, usando linguagem acessível.

Habilidades Específicas BNCC

  • EM13MAT105: Utilizar conceitos estatísticos (média, moda, mediana, desvio padrão) para interpretar dados de pesquisas e experimentos, identificando tendências e variações. Conheça mais sobre a EM13MAT105
  • EM13MAT405: Utilizar conceitos básicos de uma linguagem de programação na implementação de algoritmos escritos em linguagem corrente e/ou matemática. Conheça mais sobre a EM13MAT405
  • EM13MAT406: Construir e interpretar tabelas e gráficos com base em dados de pesquisas, identificando elementos que podem induzir a erros de leitura ou de interpretação. Conheça mais sobre a EM13MAT406
  • EM13CO01: Identificar e analisar as tecnologias da informação e comunicação, seus avanços e usos sociais, e discutir de que forma o uso ético e responsável dessas tecnologias pode contribuir para ampliar as possibilidades de comunicação. Conheça mais sobre a EM13CO01
  • EM13CNT303: Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, os recursos gráficos, a forma de organização das informações e os princípios éticos que devem orientar o trabalho científico. Conheça mais sobre a EM13CNT303

Conteúdo Programático

O conteúdo programático dessa atividade parte dos conceitos de estatística básica que os alunos já viram ao longo do ensino médio, mas agora com um olhar diferente: em vez de calcular, eles vão interpretar e questionar. A conexão com temas de mídia e desinformação torna o conteúdo mais significativo, porque os alunos percebem que estatística não é só exercício de livro — é uma ferramenta que aparece todo dia nas notícias que consomem.

  • Medidas de tendência central: média, mediana e moda — como cada uma pode ser usada de forma enganosa.
  • Leitura e interpretação de gráficos: eixos truncados, escalas distorcidas e ausência de referências.
  • Percentuais e proporções: diferença entre percentual absoluto e relativo, e como omitir o denominador distorce a informação.
  • Amostragem e representatividade: o que significa uma pesquisa com 'n' pequeno ou com viés de seleção.
  • Fake news e desinformação: como dados estatísticos são usados para construir narrativas falsas ou parciais.
  • Checagem de dados: fontes confiáveis, agências de fact-checking e boas práticas de verificação.

Metodologia

A atividade usa análise de casos reais como ponto de partida, o que mantém os alunos engajados porque o material não é inventado — é o mesmo tipo de conteúdo que eles encontram no celular. O trabalho em grupo favorece a troca de perspectivas e a discussão coletiva, enquanto a apresentação final exige que cada grupo organize e comunique o raciocínio de forma clara. O professor atua mais como mediador do que como transmissor: conduz perguntas, provoca reflexões e ajuda os grupos quando travam na análise.

  • Análise de casos reais: os alunos trabalham com materiais midiáticos autênticos, não com exemplos fictícios.
  • Trabalho em grupos pequenos (3 a 4 alunos): favorece a discussão e distribui a responsabilidade pela análise.
  • Discussão coletiva mediada pelo professor: ao final da Aula 1, a turma sistematiza os tipos de distorção encontrados.
  • Produção de análise crítica em grupo: na Aula 2, cada grupo documenta a fake news escolhida, o erro identificado e a correção proposta.
  • Apresentação oral para a turma: cada grupo compartilha suas descobertas, estimulando a comunicação e o debate.
  • Uso de ferramentas digitais opcionais: os grupos podem usar Canva, Google Slides ou similar para montar a apresentação.

Aulas e Sequências Didáticas

As duas aulas foram pensadas em sequência lógica: a primeira constrói o repertório analítico e a segunda coloca esse repertório em prática de forma autoral. O tempo de 50 minutos por aula é suficiente se o professor organizar bem as transições entre as etapas. Vale avisar os alunos com antecedência sobre a Aula 2 para que os grupos já cheguem com a fake news escolhida, economizando tempo.

  • Aula 1 (50 min): O professor apresenta a proposta e distribui o kit de materiais midiáticos (10 min). Os grupos analisam as peças e identificam as distorções estatísticas (20 min). Discussão coletiva para sistematizar os tipos de manipulação encontrados e registrar no quadro (20 min).
  • Momento 1: Apresentação da proposta e distribuição dos materiais (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula posicionando-se de forma que todos os alunos possam ver o quadro e, se possível, um projetor ou tela. Apresente a proposta da atividade de forma direta e envolvente: explique que, ao longo das duas aulas, a turma vai atuar como investigadores de fake news com base estatística. Use uma pergunta provocadora para engajar a turma desde o início, como: 'Você já compartilhou uma informação com números sem checar se era verdade?' Permita que dois ou três alunos respondam brevemente, criando um clima de curiosidade e pertencimento ao tema.

    Em seguida, apresente os conceitos que serão mobilizados — médias enganosas, gráficos com eixos cortados, percentuais sem contexto e amostras não representativas — de forma rápida e visual, usando exemplos no quadro ou projetados. É importante que essa introdução seja objetiva e não se prolongue além do necessário, pois o foco da aula é a análise ativa pelos alunos.

    Organize a turma em grupos de 3 a 4 alunos antes de distribuir os materiais. Distribua o kit midiático — impresso ou digital — com 5 a 8 peças por grupo, contendo gráficos distorcidos, manchetes com percentuais enganosos e posts de redes sociais. Projete ou entregue também a rubrica de avaliação neste momento, explicando brevemente o que será observado durante a atividade. Oriente os grupos a lerem todas as peças antes de começar a análise, para ter uma visão geral do conjunto.

    Momento 2: Análise em grupos — identificando as distorções (Estimativa: 20 minutos)
    Oriente os grupos a analisarem cada peça do kit e identificarem onde está a manipulação estatística: se é no gráfico, no percentual, na média apresentada ou na forma como o dado foi contextualizado. Peça que registrem por escrito as distorções encontradas, anotando o tipo de erro e uma justificativa para a identificação. Esse registro será útil tanto para a discussão coletiva quanto para a avaliação formativa.

    Circule pelos grupos durante todo esse momento. Observe se os alunos conseguem nomear os tipos de distorção com os conceitos corretos, se fazem perguntas pertinentes entre si e se argumentam com base nos dados. Anote mentalmente ou em uma lista rápida quais grupos demonstram maior ou menor domínio dos conceitos — isso orientará suas intervenções na discussão coletiva.

    Intervenha quando perceber que um grupo está travado ou chegando a conclusões equivocadas. Faça perguntas mediadoras, como: 'O eixo vertical começa do zero? O que muda se começar de outro número?', 'Esse percentual é de quanto sobre quanto?', 'Quantas pessoas foram entrevistadas nessa pesquisa?' Evite dar a resposta diretamente — o objetivo é que os alunos construam o raciocínio crítico com autonomia. É importante que todos os integrantes do grupo participem da análise, então, se perceber que algum aluno está passivo, estimule-o com uma pergunta direta e acolhedora.

    Ao final desse momento, peça que cada grupo eleja um porta-voz para apresentar os achados na discussão coletiva. Esse papel pode ser rotativo entre os membros.

    Momento 3: Discussão coletiva e sistematização no quadro (Estimativa: 20 minutos)
    Conduza a discussão coletiva chamando cada grupo para compartilhar uma ou duas distorções identificadas. Registre no quadro os tipos de manipulação à medida que forem sendo apresentados, organizando-os em categorias: distorções em gráficos, distorções em médias, distorções em percentuais e problemas de amostragem. Essa organização visual é fundamental para que os alunos saiam da aula com um mapa mental claro dos tipos de erro estatístico.

    Permita que outros grupos complementem ou discordem das análises apresentadas, mediando o debate com respeito e rigor. Quando surgirem divergências, aproveite para aprofundar o conceito em questão. Por exemplo, se um grupo identificou que uma média esconde extremos, pergunte à turma: 'Qual medida seria mais honesta nesse caso — a mediana ou a moda? Por quê?' Esse tipo de pergunta conecta a análise crítica ao conteúdo estatístico de forma orgânica.

    Ao final da sistematização, reserve de 3 a 5 minutos para uma síntese oral: retome as categorias registradas no quadro, destaque os padrões mais comuns de manipulação encontrados e reforce a mensagem central da atividade — números sem contexto podem dizer qualquer coisa. Antecipe brevemente o que acontecerá na Aula 2, informando que cada grupo deverá escolher uma fake news com base estatística para analisar criticamente e apresentar para a turma. Oriente os grupos a já irem pensando em qual peça do kit — ou outra que conheçam — querem aprofundar.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você tem em sua turma alunos com deficiência auditiva e alunos com TDAH, e pequenas adaptações na condução dos momentos já fazem uma grande diferença para garantir que todos participem com qualidade.

    Para os alunos com deficiência auditiva, certifique-se de que eles estejam posicionados de frente para você durante as explicações, permitindo a leitura labial. Se houver intérprete de LIBRAS na sala, coordene previamente os momentos em que você fará falas mais longas, como a apresentação da proposta e a sistematização no quadro, para que o intérprete possa acompanhar sem interrupções. Sempre que possível, apoie suas explicações orais com registros visuais no quadro ou projetados — isso beneficia não só os alunos com deficiência auditiva, mas toda a turma. Ao distribuir o kit midiático, verifique se as peças com áudio ou vídeo possuem legenda ou transcrição. Durante a discussão coletiva, repita em voz alta e de forma clara as falas dos colegas antes de comentá-las, garantindo que o aluno com deficiência auditiva acompanhe o fio da conversa.

    Para os alunos com TDAH, a estrutura em grupos pequenos e a alternância entre leitura, análise e discussão já são naturalmente favoráveis. Ainda assim, algumas ações simples ajudam muito: ao apresentar a proposta, use linguagem direta e evite blocos longos de explicação sem pausas. Durante a análise em grupos, posicione o aluno com TDAH em um grupo com colegas que tenham perfil colaborativo e paciente. Se perceber que ele está disperso, uma intervenção discreta e positiva — como fazer uma pergunta diretamente a ele sobre o material — costuma ser suficiente para reconectar o foco sem expô-lo negativamente. Considere também oferecer um roteiro impresso com as etapas da análise (ex.: 'Passo 1: leia a peça. Passo 2: identifique o dado principal. Passo 3: o dado tem contexto suficiente?'), pois essa estrutura visual reduz a ansiedade e ajuda na organização do pensamento. Lembre-se: você não precisa resolver tudo sozinho — o trabalho em grupo, bem mediado, já é um suporte poderoso para esses alunos.

  • Aula 2 (50 min): Cada grupo apresenta a análise crítica da fake news escolhida — identificação do erro, correção dos dados e fonte usada (30 min, cerca de 5 min por grupo). Debate final sobre responsabilidade digital e o papel da estatística na desinformação (15 min). Encerramento com orientações sobre a avaliação (5 min).
  • Momento 1: Preparação e organização para as apresentações (Estimativa: 5 minutos)
    Inicie a aula retomando brevemente o que foi feito na Aula 1 e reforçando o que se espera de cada grupo neste momento. Explique com clareza a dinâmica das apresentações: cada grupo terá aproximadamente 5 minutos para compartilhar com a turma a fake news escolhida, o erro estatístico identificado, a correção proposta e a fonte confiável utilizada. Projete ou escreva no quadro a estrutura esperada da apresentação — 'Qual foi a fake news?', 'Qual erro estatístico foi encontrado?', 'Como os dados corretos se apresentam?', 'Qual fonte foi usada para verificar?' — para que todos tenham clareza sobre o que comunicar. Distribua ou projete a rubrica de avaliação neste momento, caso ainda não tenha sido entregue, e destaque os quatro critérios: identificação do erro, correção dos dados, qualidade da fonte e clareza da apresentação. É importante que os alunos saibam exatamente o que será avaliado antes de começarem. Oriente os grupos a organizarem rapidamente seus materiais — slides, cartaz ou anotações — e definirem quem vai falar em cada parte da apresentação, garantindo que todos os integrantes participem de alguma forma.

    Momento 2: Apresentações dos grupos (Estimativa: 30 minutos)
    Conduza as apresentações chamando os grupos em sequência. Permita que cada grupo apresente sem interrupções durante os primeiros minutos, garantindo fluidez e respeitando o tempo de fala. Ao final de cada apresentação, abra brevemente para perguntas ou comentários da turma — uma ou duas contribuições são suficientes para não comprometer o tempo dos demais grupos. Observe se os alunos conseguem nomear corretamente o tipo de distorção estatística identificada, se a correção proposta está fundamentada em dados reais e se a fonte citada é confiável e verificável. Esses são os principais indicadores de aprendizagem a serem observados neste momento. Anote na rubrica de avaliação as pontuações de cada grupo enquanto as apresentações acontecem, aproveitando que você está ouvindo e observando em tempo real. Intervenha com gentileza quando perceber imprecisões conceituais relevantes — por exemplo, se um grupo confundir média com mediana na explicação, aproveite para esclarecer brevemente o conceito para toda a turma, transformando o equívoco em oportunidade de aprendizado coletivo. Valorize publicamente os acertos, especialmente quando os grupos demonstrarem raciocínio crítico apurado ou uso criativo das ferramentas digitais na apresentação. É importante que você gerencie o tempo com atenção: se um grupo ultrapassar os 5 minutos, faça uma sinalização discreta e gentil para que concluam, preservando o espaço dos demais.

    Momento 3: Debate final — responsabilidade digital e estatística na desinformação (Estimativa: 10 minutos)
    Após todas as apresentações, conduza um debate coletivo mediado por você. Inicie com uma pergunta provocadora que conecte os conteúdos trabalhados com a realidade dos alunos, como: 'Depois de tudo que analisamos, o que muda na forma como vocês vão ler um gráfico ou um percentual nas redes sociais?' ou 'Quem é responsável quando uma fake news com dados falsos se espalha — quem criou, quem compartilhou ou quem não checou?' Permita que os alunos expressem suas opiniões livremente, mediando o debate com respeito e estimulando que diferentes pontos de vista sejam considerados. Aproveite as falas dos alunos para reforçar conceitos centrais da atividade: que números sem contexto podem dizer qualquer coisa, que a estatística é uma ferramenta poderosa tanto para informar quanto para enganar, e que a checagem de dados é uma prática cidadã. Se o tempo permitir, mencione brevemente o papel das agências de fact-checking — Agência Lupa, Aos Fatos e G1 Fato ou Fake — como recursos acessíveis para qualquer pessoa que queira verificar informações antes de compartilhá-las. Observe se os alunos conseguem relacionar os conceitos estatísticos trabalhados com questões mais amplas, como saúde pública, política e economia — essa capacidade de transferência é um dos indicadores mais ricos de aprendizagem significativa.

    Momento 4: Autoavaliação e encerramento (Estimativa: 5 minutos)
    Encerre a aula distribuindo ou projetando as três perguntas da autoavaliação: 'O que aprendi nessas duas aulas?', 'O que ainda tenho dúvida?' e 'Como vou usar isso fora da escola?' Oriente os alunos a responderem individualmente, em papel ou formulário digital, de forma breve e honesta. Explique que essa autoavaliação não tem nota, mas é importante para que você possa entender o que ficou claro e o que ainda precisa ser retomado. Recolha as respostas ao final e reserve um momento posterior para lê-las — elas são um instrumento valioso de feedback formativo. Finalize a aula com uma fala de encerramento que valorize o trabalho realizado pela turma, reforce a mensagem central da atividade e projete o aprendizado para além da sala de aula: 'Vocês agora têm ferramentas para questionar qualquer número que apareça na sua frente. Usem isso.'

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está conduzindo uma aula com alunos com deficiência auditiva e alunos com TDAH, e algumas adaptações simples fazem toda a diferença para garantir que todos participem com qualidade e se sintam parte do processo.

    Para os alunos com deficiência auditiva, certifique-se de que eles estejam posicionados de frente para os colegas que estão apresentando, facilitando a leitura labial. Se houver intérprete de LIBRAS na sala, coordene previamente a ordem das apresentações para que o intérprete possa acompanhar cada grupo sem interrupções. Quando um colega fizer uma pergunta ou comentário durante as apresentações, repita a fala em voz alta e de forma clara antes de responder, garantindo que o aluno com deficiência auditiva acompanhe o fio da conversa. Se os grupos usarem slides ou cartazes, oriente-os a incluir os dados principais por escrito, o que beneficia não só os alunos com deficiência auditiva, mas toda a turma. Durante o debate final, evite falar enquanto estiver de costas para a turma e mantenha contato visual com o aluno com deficiência auditiva ao fazer perguntas coletivas.

    Para os alunos com TDAH, a estrutura da aula — com apresentações curtas e variadas, seguidas de debate e autoavaliação — já é naturalmente favorável à manutenção do foco. Ainda assim, algumas ações simples ajudam: ao iniciar o Momento 2, entregue ao aluno com TDAH um roteiro impresso com a sequência da aula ('Apresentações dos grupos → Debate → Autoavaliação'), para que ele saiba o que esperar e reduza a ansiedade pela imprevisibilidade. Durante as apresentações dos colegas, ofereça a ele um papel ativo — como cronometrar o tempo de cada grupo ou anotar uma palavra-chave de cada apresentação — para canalizar a energia e manter o engajamento. Se perceber dispersão durante o debate, uma pergunta direta e acolhedora — 'O que você achou da fake news que o grupo X apresentou?' — costuma ser suficiente para reconectar o foco sem expô-lo negativamente. Lembre-se: pequenas adaptações na condução já são um grande passo, e você não precisa resolver tudo sozinho — o ambiente colaborativo e bem estruturado que você criou ao longo dessas duas aulas já é, por si só, um poderoso recurso de inclusão.

Avaliação

A avaliação dessa atividade combina observação do processo e análise do produto final. Não faz sentido avaliar só a apresentação, porque muito do aprendizado acontece durante a análise em grupo. Por isso, o professor deve observar a qualidade das discussões na Aula 1 e a profundidade da análise entregue na Aula 2. Para alunos com TDAH, vale considerar avaliações mais curtas e objetivas, com critérios bem definidos desde o início. Para alunos com deficiência auditiva, garantir que a apresentação oral possa ser complementada por material escrito ou visual.

  • Avaliação formativa por observação (Aula 1): O professor circula pelos grupos durante a análise dos materiais e observa se os alunos conseguem identificar as distorções, fazer perguntas pertinentes e argumentar com os colegas. Critérios: participação ativa, qualidade das hipóteses levantadas e uso correto dos conceitos estatísticos. Exemplo: anotar em uma lista simples quais grupos demonstraram compreensão dos tipos de distorção.
  • Avaliação somativa da análise crítica (Aula 2): Cada grupo entrega ou apresenta a análise da fake news escolhida. Critérios: identificação correta do erro estatístico, proposta de correção fundamentada em fonte confiável, clareza na comunicação e uso adequado dos conceitos trabalhados. Exemplo: uma rubrica com 4 critérios (identificação do erro, correção dos dados, qualidade da fonte e clareza da apresentação), cada um pontuado de 0 a 2,5.
  • Autoavaliação rápida (encerramento da Aula 2): Cada aluno responde individualmente 3 perguntas curtas: o que aprendi, o que ainda tenho dúvida e como vou usar isso fora da escola. Serve como feedback para o professor e estimula a metacognição. Pode ser feito em papel ou formulário digital.

Materiais e ferramentas:

Os recursos foram escolhidos para serem acessíveis e práticos. O kit de materiais midiáticos pode ser montado pelo professor com antecedência usando prints de redes sociais, capturas de manchetes e infográficos — tudo material público e facilmente encontrado. O uso de tecnologia é opcional e não é pré-requisito para a atividade funcionar bem. O que importa é que os materiais sejam reais e relevantes para os alunos.

  • Kit de materiais midiáticos impresso ou digital: 5 a 8 peças por grupo, incluindo gráficos distorcidos, manchetes com percentuais enganosos e posts de redes sociais.
  • Quadro branco ou lousa para sistematização coletiva na Aula 1.
  • Acesso à internet para pesquisa de fontes confiáveis na Aula 2 (pode ser feito no celular dos próprios alunos).
  • Sites de fact-checking sugeridos: Agência Lupa, Aos Fatos e G1 Fato ou Fake.
  • Ferramenta de apresentação (opcional): Google Slides, Canva ou cartaz impresso para grupos que preferirem apresentação visual.
  • Rubrica de avaliação impressa ou projetada, disponível desde o início da Aula 1 para que os alunos saibam o que será avaliado.

Inclusão e acessibilidade

Adaptar essa atividade para a turma não exige grandes mudanças — pequenos ajustes já fazem diferença real. Para alunos com deficiência auditiva, o foco em materiais visuais (gráficos, imagens, textos escritos) já é um ponto positivo natural da atividade. Garanta que as instruções orais sejam sempre acompanhadas de texto escrito no quadro ou projetado, e que o intérprete de LIBRAS esteja posicionado de forma que o aluno consiga ver tanto o intérprete quanto o material projetado. Para alunos com TDAH, divida as tarefas em etapas menores com tempo definido, use um timer visível e posicione esses alunos em grupos com colegas que ajudem a manter o foco. Fique atento a sinais de sobrecarga: aluno que para de participar, que dispersa muito ou que demonstra frustração pode precisar de uma pausa ou de uma tarefa mais delimitada.

  • Disponibilizar todas as instruções da atividade por escrito (no quadro ou em papel), não apenas de forma oral, para garantir acesso aos alunos com deficiência auditiva.
  • Posicionar o intérprete de LIBRAS de forma que o aluno com deficiência auditiva consiga ver tanto o intérprete quanto o material projetado simultaneamente.
  • Usar legendas ou descrições escritas nos gráficos e imagens do kit de materiais para facilitar a leitura independente.
  • Para alunos com TDAH, entregar um roteiro de análise com etapas numeradas e tempo estimado para cada uma, ajudando na organização e no foco.
  • Usar um timer visível (projetado ou no quadro) para marcar as transições entre as etapas da aula — isso ajuda alunos com TDAH a se organizarem sem depender apenas de instruções verbais.
  • Permitir que grupos com alunos com TDAH dividam as tarefas de forma mais granular, com cada membro responsável por uma etapa específica da análise.
  • Garantir que a apresentação oral na Aula 2 possa ser complementada por material visual ou escrito, sem penalizar grupos que optarem por esse formato.
  • Evitar usar vídeos com áudio sem legenda; se necessário usar algum vídeo, garantir que tenha legenda em português.

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