Essa atividade nasce de uma situação bem concreta: um texto cheio de repetições do mesmo substantivo, que cansa quem lê e deixa a escrita estranha. A ideia é simples e eficaz. Os alunos recebem esse texto propositalmente mal escrito e, depois de lê-lo em voz alta para sentir o problema na pele, partem para reescrevê-lo usando pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos no lugar das repetições.
A leitura em voz alta é o ponto de partida. Quando o aluno ouve a repetição, ele percebe o problema de forma muito mais clara do que se apenas lesse em silêncio. Esse momento coletivo cria um senso compartilhado de que algo precisa ser consertado, o que dá sentido real à tarefa seguinte.
Na reescrita individual, cada estudante toma decisões sobre qual pronome usar em cada trecho. Não existe uma única resposta certa, e isso é ótimo. Dois alunos podem fazer escolhas diferentes e ambas funcionarem bem. Essa percepção aparece no momento final, quando alguns compartilham suas versões com a turma e comparam as escolhas.
A comparação entre as versões reescritas é onde acontece a reflexão linguística mais rica. O professor pode perguntar: 'Por que você escolheu esse pronome aqui?' ou 'O que acontece se a gente trocar por outro?'. Essas perguntas simples levam os alunos a pensar sobre a língua de forma consciente, sem precisar de metalinguagem pesada.
A atividade está alinhada à habilidade EF35LP14 da BNCC e trabalha coesão textual de um jeito que faz sentido para crianças de 9 e 10 anos: partindo de um problema real, resolvendo de forma autônoma e discutindo as soluções com os colegas. Em 40 minutos, é possível percorrer todo esse caminho.
O grande objetivo aqui é que os alunos entendam, na prática, para que servem os pronomes. Não como uma lista de palavras para decorar, mas como ferramentas reais que tornam a escrita mais fluida e agradável. Quando o aluno reescreve o texto e percebe que a leitura ficou melhor, ele internaliza esse conhecimento de um jeito que nenhuma explicação teórica consegue sozinha. A atividade também trabalha a autonomia: cada estudante toma suas próprias decisões de escrita e aprende a revisar o próprio texto com um olhar mais crítico.
O conteúdo central é o uso dos pronomes como recurso de coesão. Mas para chegar lá, os alunos precisam primeiro entender o que é repetição desnecessária e por que ela prejudica o texto. Esse diagnóstico inicial, feito pela leitura em voz alta, é parte do conteúdo também. A produção textual aparece na reescrita, e a análise linguística aparece na comparação das versões. Os dois campos caminham juntos ao longo da aula.
A aula segue uma sequência que vai do coletivo para o individual e volta ao coletivo. Primeiro, a turma toda lê o texto problemático em voz alta e discute o que está estranho. Depois, cada aluno trabalha sozinho na reescrita, tomando decisões de forma autônoma. No final, algumas versões são compartilhadas e comparadas. Essa estrutura garante que todos tenham um ponto de partida comum, um momento de protagonismo individual e uma reflexão coletiva sobre as escolhas feitas. O professor atua como mediador, fazendo perguntas que provocam o pensamento sem dar as respostas prontas.
A aula de 40 minutos está dividida em três momentos bem definidos. A abertura é coletiva e serve para criar o problema que vai motivar a atividade. O meio é individual e é onde acontece o trabalho de escrita de verdade. O fechamento volta a ser coletivo, com foco na reflexão sobre as escolhas feitas. Esse ritmo evita que a aula fique monótona e garante que todos os alunos participem de alguma forma, seja na leitura, na escrita ou na discussão.
Momento 1: Preparação e Leitura em Voz Alta do Texto com Repetições (Estimativa: 10 minutos)
Antes de iniciar a aula, escreva no quadro ou projete uma lista de referência com os principais pronomes pessoais (eu, ele, ela, eles, elas, me, lhe, o, a), possessivos (meu, minha, seu, sua, dele, dela) e demonstrativos (este, esse, aquele, isso, aquilo) para que os alunos possam consultá-la durante toda a atividade. Distribua uma cópia impressa do texto com repetições propositais para cada aluno. É importante que o texto tenha entre 8 e 12 linhas e repita um mesmo substantivo pelo menos cinco ou seis vezes de forma claramente excessiva — por exemplo, um texto sobre um personagem chamado Pedro que menciona 'Pedro' em quase todas as frases.
Proponha à turma uma leitura em voz alta coletiva. Você pode conduzir a leitura ou convidar voluntários para ler em sequência. Oriente os alunos a prestarem atenção em como o texto soa enquanto é lido. Após a leitura, abra uma discussão rápida de aproximadamente 3 minutos: pergunte 'O que vocês acharam desse texto? Tem algo que incomodou enquanto vocês ouviam?' e 'Qual palavra aparece demais?'. Permita que os alunos respondam livremente e registre no quadro as repetições que eles identificarem. Observe se a turma consegue nomear o problema sem que você precise dar a resposta diretamente — esse é um indicador importante de que estão percebendo o efeito da repetição na leitura. Encerre esse momento confirmando com a turma que o objetivo da atividade será reescrever o texto para deixá-lo mais agradável de ler, usando pronomes no lugar das repetições.
Momento 2: Reescrita Individual com Substituição por Pronomes (Estimativa: 20 minutos)
Oriente os alunos a reescreverem o texto individualmente, substituindo as repetições pelos pronomes mais adequados. Explique que eles podem escrever diretamente na folha impressa, riscando a palavra repetida e escrevendo o pronome escolhido acima ou ao lado, ou reescrever o trecho completo em um caderno ou no verso da folha — escolha a forma que for mais prática para a sua turma.
É importante que você circule pela sala durante todo esse momento, observando o trabalho de cada aluno. Ao se aproximar, faça perguntas que estimulem a reflexão consciente, como 'Por que você escolheu esse pronome aqui?' ou 'Faz sentido usar esse pronome nesse trecho? Tente ler em voz baixa e veja se soa natural.' Evite dar a resposta diretamente; prefira guiar o raciocínio do aluno com perguntas. Observe se o aluno está identificando as repetições corretamente, se os pronomes escolhidos fazem sentido no contexto e se o texto reescrito mantém o sentido original — esses são os critérios de avaliação formativa desse momento.
Se perceber que algum aluno está travado, sugira que ele releia o trecho em voz baixa e tente imaginar como diria aquela frase em uma conversa com um amigo. Essa estratégia costuma ajudar crianças de 9 e 10 anos a encontrar soluções mais naturais. Para os alunos que terminarem mais rápido, proponha que revisem o próprio texto mais uma vez para verificar se ainda sobrou alguma repetição que possa ser substituída ou se alguma substituição ficou estranha.
Momento 3: Compartilhamento, Comparação e Reflexão Final (Estimativa: 10 minutos)
Convide dois ou três alunos voluntários para lerem suas versões reescritas em voz alta para a turma. É importante que você escolha versões com escolhas pronominais diferentes entre si, pois isso enriquece a comparação. Após cada leitura, conduza uma breve conversa coletiva com perguntas como 'Essa versão ficou melhor do que o texto original? Por quê?' e 'Alguém usou um pronome diferente nesse trecho? Qual ficou melhor?'.
Registre no quadro dois ou três exemplos de substituições diferentes feitas pelos alunos para o mesmo trecho e explore com a turma as diferenças: 'Se a gente trocar esse pronome por aquele, o que muda no texto?' Esse é o momento de reflexão linguística mais rico da aula, e você não precisa usar metalinguagem pesada — o importante é que os alunos percebam que existem mais de uma solução possível e que algumas funcionam melhor do que outras dependendo do contexto.
Encerre a aula com uma autoavaliação oral rápida: pergunte à turma 'O que vocês aprenderam hoje sobre como escrever sem repetir tanto?' e 'Vocês vão prestar atenção nisso quando escreverem seus próprios textos?'. Recolha as folhas com as versões reescritas para avaliação posterior, verificando a coerência das substituições, a variedade de pronomes usados e a fluência do texto reescrito em comparação ao original.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as orientações a seguir têm caráter preventivo e visam garantir que todos os alunos participem com conforto e segurança. Mesmo sem necessidades especiais formalmente declaradas, é natural que uma turma de 4º ano tenha ritmos de aprendizagem diferentes, e pequenos ajustes fazem toda a diferença.
Para alunos com maior dificuldade de leitura e escrita, permita que a reescrita seja feita de forma mais simplificada: em vez de reescrever o trecho inteiro, o aluno pode apenas circular a palavra repetida e escrever ao lado o pronome que escolheria. Isso reduz a demanda motora e cognitiva sem excluir o aluno da atividade principal. Durante a circulação pela sala, priorize sentar ao lado desses alunos por um momento e ler o trecho junto com eles em voz baixa antes de perguntar qual pronome usariam.
Para alunos com maior facilidade, o desafio de encontrar mais de uma solução possível para o mesmo trecho e justificar qual ficou melhor é uma extensão natural da atividade que mantém o engajamento sem criar uma tarefa separada.
Durante a leitura em voz alta coletiva, evite expor alunos que tenham dificuldade com leitura oral — deixe a participação sempre voluntária e leia você mesmo os trechos mais longos se necessário. A lista de pronomes no quadro é um recurso de apoio especialmente valioso para alunos que ainda não internalizaram esses termos, pois reduz a dependência da memória e permite que o foco fique na reflexão sobre o texto. Você já está fazendo muito ao criar um ambiente onde errar faz parte do processo — isso é fundamental para que todos se sintam seguros para participar.
A avaliação dessa atividade é principalmente formativa. O professor observa o processo de reescrita, circula pela sala durante os 20 minutos de trabalho individual e verifica se os alunos estão conseguindo identificar as repetições e fazer substituições coerentes. No momento do compartilhamento, a participação oral também revela muito sobre o nível de compreensão de cada um. Não é necessário dar uma nota para essa atividade, mas o professor pode registrar quem conseguiu fazer substituições adequadas, quem teve dificuldade e quem precisará de mais prática.
Os recursos dessa aula são simples e de baixo custo. O mais importante é o texto impresso com as repetições, que precisa ser preparado com cuidado pelo professor antes da aula. Esse texto deve ter entre 8 e 12 linhas, com um substantivo repetido pelo menos 6 vezes de forma evidente. Quanto mais clara a repetição, mais fácil para o aluno perceber o problema. O restante dos materiais é o básico do dia a dia da sala de aula.
Mesmo sem condições específicas mapeadas na turma, vale estar atento a alguns pontos. Alunos com mais dificuldade na leitura podem ter vergonha durante a leitura em voz alta. Uma boa saída é fazer a leitura em coro ou em duplas antes de abrir para leitura individual. Durante a reescrita, o professor pode sentar ao lado de quem está travado e fazer perguntas simples: 'Quem está fazendo essa ação no texto?' ou 'Você pode usar um 'ele' aqui?'. Isso ajuda sem dar a resposta pronta. Fique atento a alunos que copiam o texto sem fazer nenhuma substituição, pois pode ser sinal de que não compreenderam a tarefa ou de que precisam de mais apoio com a leitura.
Todos os planos de aula são criados e revisados por professores como você, com auxílio da Inteligência Artificial
Crie agora seu próprio plano de aula