Nesta atividade, os alunos do 6º ano vão colocar a mão na massa para construir instrumentos musicais usando materiais simples do dia a dia: garrafas PET, tampinhas, elásticos, caixas de papelão e arroz. A ideia é que cada grupo monte seu próprio instrumento, explore os sons que ele produz e, depois, toque junto com os colegas formando uma pequena banda. Durante o processo, os alunos vão perceber na prática o que é timbre, ritmo, melodia, andamento e cadência — conceitos que muitas vezes parecem abstratos no papel, mas que fazem todo sentido quando você está segurando o instrumento na mão.
A aula tem 60 minutos e é dividida em três momentos principais. Primeiro, a construção dos instrumentos em grupo. Depois, a exploração sonora e os ensaios das bandas. Por último, uma roda de apreciação musical onde cada grupo apresenta seu instrumento, descreve o som que ele faz e a turma conversa sobre como músicos brasileiros e estrangeiros usam instrumentos artesanais em suas músicas.
Essa última parte é especialmente rica. O professor traz exemplos concretos — como o uso de instrumentos de percussão artesanal no baião, no maracatu, ou em grupos de música africana — e os alunos conseguem relacionar o que fizeram com o que existe no mundo real da música. Não tem tablet, não tem celular. Tudo acontece com os materiais na mesa, os ouvidos atentos e a conversa entre os colegas.
A atividade trabalha diretamente as habilidades EF69AR18 e EF69AR21 da BNCC, estimulando a escuta ativa, a criatividade, o trabalho em equipe e o respeito às diferentes formas de expressão musical. Para alunos com TEA nível 2, o plano prevê adaptações específicas que garantem participação real e confortável durante toda a aula.
O grande objetivo desta aula é fazer com que os alunos deixem de ver a música como algo distante e passem a entendê-la como uma linguagem que qualquer pessoa pode explorar. Quando o aluno constrói o próprio instrumento e toca junto com o grupo, ele aprende a ouvir de verdade — percebendo diferenças de timbre, variações de ritmo e mudanças de andamento de forma natural. A roda de apreciação no final da aula amplia esse olhar: o aluno passa a reconhecer que músicos do mundo inteiro, de diferentes culturas, também criam sons com materiais simples. Isso abre espaço para uma escuta mais empática e curiosa.
O conteúdo desta aula gira em torno da linguagem musical vivenciada de forma prática. Os alunos não vão ler sobre timbre ou andamento — vão sentir esses conceitos enquanto tocam. A conexão com músicos reais e com diferentes culturas musicais aparece na roda de apreciação, dando contexto histórico e cultural ao que foi experimentado. Isso torna o aprendizado mais significativo e menos mecânico.
A atividade usa a abordagem mão-na-massa como fio condutor. Os alunos aprendem fazendo: constroem, testam, ajustam e tocam. O professor atua como mediador — circula pelos grupos, faz perguntas que provocam a escuta ('esse som é mais grave ou mais agudo que o do outro grupo?'), e conduz a roda de apreciação com exemplos concretos de músicos reais. Não há aula expositiva longa. O conceito aparece no momento em que o aluno precisa dele para resolver algo prático.
A aula de 60 minutos foi pensada para ter um ritmo dinâmico, alternando momentos de criação, prática e reflexão. A transição entre as etapas é sinalizada pelo professor de forma clara, o que também ajuda os alunos com TEA a se organizarem no tempo. O cronograma abaixo mostra a sequência geral; os detalhes de cada etapa serão desenvolvidos em momento posterior.
Momento 1: Apresentação da proposta e organização dos grupos (Estimativa: 8 minutos)
Inicie a aula reunindo os alunos em semicírculo ou em suas carteiras organizadas de forma que todos possam se ver. Apresente de forma clara e animada o que será feito durante os 60 minutos: construir instrumentos musicais com materiais do dia a dia, explorar os sons produzidos, ensaiar em banda e, por fim, apresentar os instrumentos para a turma. É importante que você use uma linguagem simples e direta, evitando termos técnicos neste primeiro momento — eles serão introduzidos gradualmente ao longo da aula.
Mostre os materiais disponíveis na mesa (garrafas PET, tampinhas, elásticos, caixas de papelão, arroz e fita adesiva) e demonstre brevemente como um chocalho simples pode ser feito enchendo uma garrafa com arroz e fechando bem com fita. Isso ajuda a concretizar a proposta e desperta a curiosidade dos alunos. Em seguida, organize a turma em grupos de 4 a 5 alunos, distribuindo os materiais de forma equilibrada entre os grupos. Escreva no quadro os três tipos de instrumento que cada grupo pode escolher construir: chocalho (garrafa PET com arroz), pandeiro artesanal (tampinhas presas em uma caixa de papelão) ou cordofone simples (elásticos esticados sobre uma caixa de papelão). Permita que cada grupo escolha qual instrumento quer construir, mas oriente para que haja variedade entre os grupos, garantindo diversidade sonora para o ensaio coletivo.
Momento 2: Construção dos instrumentos em grupo — mão na massa (Estimativa: 15 minutos)
Com os grupos formados e os materiais distribuídos, dê início à construção. Circule entre os grupos, observando o processo e fazendo perguntas abertas para estimular a reflexão: 'Por que vocês escolheram colocar mais arroz? O som muda?' ou 'O que acontece se o elástico for mais grosso?'. Essas perguntas não precisam de respostas imediatas — o objetivo é plantar a curiosidade e direcionar a atenção para as propriedades do som.
Observe se todos os integrantes do grupo estão participando da montagem. Caso algum aluno esteja apenas observando, aproxime-se com delicadeza e ofereça uma tarefa específica e concreta, como segurar a garrafa enquanto o colega coloca o arroz, ou cortar um pedaço de fita adesiva. É importante que a participação seja real e confortável para todos. Ao final deste momento, cada grupo deve ter pelo menos um instrumento montado e pronto para ser testado. Distribua a folha de papel e o lápis para que cada grupo anote o nome do instrumento criado e uma palavra que descreva o som que esperam que ele faça.
Momento 3: Exploração sonora guiada (Estimativa: 10 minutos)
Peça que cada grupo teste o instrumento que construiu e explore os sons que ele produz. Oriente os alunos a experimentarem diferentes formas de tocar: mais forte, mais fraco, mais rápido, mais devagar. Após dois ou três minutos de exploração livre, conduza uma rodada rápida em que cada grupo toca o instrumento por cerca de 20 segundos enquanto os demais ouvem em silêncio.
Após cada demonstração, faça perguntas direcionadas para toda a turma: 'O som desse instrumento é parecido com o do grupo anterior? Em que é diferente?' e 'Como vocês descreveriam o som — grave, agudo, forte, suave?'. Introduza neste momento os termos timbre, intensidade e andamento de forma natural, conectando-os ao que os alunos estão ouvindo e sentindo. Escreva esses termos no quadro à medida que surgem na conversa. Permita que os alunos usem as próprias palavras antes de apresentar o vocabulário técnico — isso valoriza o conhecimento prévio e facilita a assimilação dos conceitos.
Momento 4: Ensaio em banda (Estimativa: 12 minutos)
Agora é hora de tocar juntos. Explique que todos os grupos vão tocar ao mesmo tempo, formando uma pequena banda. Combine um sinal simples para iniciar e parar — pode ser um bater de palmas ou um gesto com a mão. Conduza o ensaio dando comandos verbais e gestuais para variar o andamento: 'Mais devagar agora!', 'Aumentem o ritmo!', 'Só os chocalhos!', 'Todos juntos!'. Essa dinâmica de regência simples é muito eficaz para que os alunos vivenciem na prática o que é andamento e cadência.
Faça pelo menos duas rodadas de ensaio. Na primeira, deixe os alunos explorarem livremente seguindo seus comandos. Na segunda, proponha um desafio: cada grupo deve manter um ritmo constante enquanto os outros variam. Observe se os alunos estão ajustando o próprio ritmo ao dos colegas — esse é um dos indicadores de aprendizagem mais importantes desta aula. Ao final do ensaio, parabenize a turma pelo esforço coletivo e pergunte: 'O que foi mais difícil — tocar sozinho ou tocar junto com todo mundo? Por quê?'.
Momento 5: Roda de apreciação musical e conexão com o mundo real (Estimativa: 12 minutos)
Reúna a turma novamente em semicírculo para a roda de apreciação. Cada grupo apresenta brevemente seu instrumento — mostrando como ele foi feito e tocando um trecho curto — e descreve pelo menos uma característica sonora usando os termos trabalhados durante a aula (timbre, ritmo, andamento, intensidade). Incentive os alunos a usarem a folha de anotações que preencheram anteriormente como apoio para a fala.
Após cada apresentação, conecte o instrumento criado com exemplos do mundo real da música. Use a lista de músicos e gêneros que você preparou previamente e escreva no quadro os exemplos à medida que os cita. Por exemplo: ao apresentar o chocalho, mencione o uso do ganzá no baião e no forró; ao falar do pandeiro artesanal, conecte com o maracatu e o samba; ao mostrar o cordofone simples, traga exemplos de instrumentos de corda artesanais usados em músicas africanas e latino-americanas. É importante que esses exemplos sejam apresentados de forma viva e contextualizada, não apenas como uma lista de nomes.
Momento 6: Autoavaliação e encerramento (Estimativa: 3 minutos)
Para encerrar, faça três perguntas orais para a turma: 'O que você aprendeu hoje?', 'O que foi mais difícil?' e 'O que você mudaria no seu instrumento?'. Permita que os alunos respondam em voz alta, com gestos (polegar para cima ou para baixo) ou simplesmente acenando com a cabeça. Não é necessário que todos falem — o objetivo é criar um momento de reflexão coletiva e dar ao professor informações sobre o que ficou e o que precisa ser retomado em aulas futuras. Registre mentalmente ou em uma lista rápida as respostas mais recorrentes para calibrar os próximos passos do planejamento.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Esta aula foi pensada de forma que todos os alunos possam participar ativamente, incluindo aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 2. A seguir, algumas estratégias práticas e viáveis que você pode adotar sem precisar de recursos extras ou suporte especializado durante a aula:
No Momento 1, ao organizar os grupos, procure posicionar o aluno com TEA em um grupo com colegas que já demonstram empatia e paciência. Evite grupos muito agitados ou barulhentos neste primeiro momento. Se possível, avise o aluno com antecedência — ainda que seja na entrada da sala — sobre o que vai acontecer na aula. Uma frase simples como 'Hoje vamos construir instrumentos com garrafas e arroz' já ajuda a reduzir a ansiedade diante do novo.
No Momento 2, ofereça ao aluno com TEA uma tarefa específica e bem definida dentro do grupo, como ser o responsável por segurar a garrafa, colocar o arroz ou cortar a fita. Tarefas com início e fim claros são mais confortáveis para alunos com TEA do que instruções abertas. Evite exigir que ele tome decisões coletivas em voz alta neste momento — permita que ele contribua pelo fazer.
No Momento 3, o nível de barulho pode ser alto e isso pode gerar desconforto sensorial. Se perceber que o aluno está se fechando, cobrindo os ouvidos ou se afastando, não force a participação. Permita que ele observe de um lugar um pouco mais afastado, mas ainda dentro da roda. Você pode oferecer uma folha para ele anotar ou desenhar o que está ouvindo — isso mantém o engajamento sem exigir exposição sonora direta.
No Momento 4, o ensaio em banda pode ser o momento de maior sobrecarga sensorial. Observe se o aluno está confortável. Se necessário, permita que ele participe tocando com menos intensidade ou apenas observando e marcando o ritmo com um gesto discreto. O importante é que ele se sinta parte da banda, mesmo que de forma diferente dos colegas.
No Momento 5, durante a roda de apreciação, o aluno com TEA não precisa fazer uma fala elaborada. Adapte a participação dele: ele pode apontar para o instrumento, mostrar como se toca, responder com uma palavra ('forte', 'rápido') ou simplesmente acenar quando o colega descrever algo correto. Valorize qualquer forma de participação com o mesmo entusiasmo que você demonstra para os demais alunos.
No Momento 6, as perguntas de autoavaliação podem ser respondidas com gestos — polegar para cima ou para baixo — sem necessidade de fala. Isso vale para todos os alunos, mas é especialmente importante para aqueles com TEA. Lembre-se: incluir não significa fazer diferente de todos, mas garantir que todos tenham uma forma de participar. Você já está fazendo isso ao planejar com cuidado — e isso faz toda a diferença.
A avaliação desta aula é essencialmente formativa. O professor observa e registra o que acontece durante a construção, o ensaio e a roda de apreciação — não há prova nem produto escrito obrigatório. O foco está em perceber se o aluno consegue identificar características sonoras, participar do grupo e relacionar o que fez com o que existe na música real. Para alunos com TEA nível 2, a avaliação pode ser feita por observação direta, sem exigir apresentação oral formal caso o aluno não se sinta confortável.
Todos os materiais desta atividade são de baixo custo e fácil acesso. A escolha por materiais recicláveis é intencional: reforça a ideia de que música pode ser feita com o que temos ao redor. O professor deve separar os materiais antes da aula e organizar os kits por grupo para evitar dispersão no início. Não há uso de recursos digitais nesta atividade.
Trabalhar com alunos com TEA nível 2 em uma atividade sonora e em grupo exige atenção, mas não precisa ser complicado. O principal é antecipar as transições e reduzir as incertezas. Antes de começar, o professor pode mostrar um roteiro visual simples com as etapas da aula desenhadas ou escritas em cartões. Durante a construção, o aluno com TEA pode ter um papel definido no grupo — como segurar, colar ou testar o som — para facilitar a participação sem sobrecarga. Na roda de apreciação, a participação pode ser adaptada: o aluno pode apontar, mostrar o instrumento ou responder com uma palavra. Fique atento a sinais de sobrecarga sensorial, como tapar os ouvidos ou se afastar do grupo, e ofereça um espaço mais calmo se necessário.
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