Essa atividade leva os alunos do 6º ano a explorar o folclore brasileiro de um jeito bem diferente: criando histórias em quadrinhos com personagens como Saci-Pererê, Curupira, Iara e Boitatá. A ideia é misturar cultura popular com expressão artística, dando espaço para cada aluno contar sua própria versão de uma lenda.
A aula começa com uma roda de conversa rápida, onde o professor pergunta quais lendas os alunos já conhecem. Esse momento serve para ativar o que eles já sabem e criar um clima de troca antes de partir para a criação. Depois, cada aluno recebe uma folha dividida em quadros — como uma página de gibi — e usa lápis, canetas coloridas e canetinhas para dar vida ao personagem que escolheu.
Cada aluno decide o personagem, o cenário e o enredo da sua história. Essa liberdade de escolha é intencional: o protagonismo na criação faz parte do processo de aprendizagem. O aluno não está apenas copiando uma lenda, mas reinterpretando e recriando a partir do que conhece e imagina.
Durante a produção, o professor circula pela sala, fazendo perguntas que ajudam os alunos a desenvolver a narrativa visual: 'O que seu personagem está sentindo aqui?', 'Como você vai mostrar que ele está com medo?'. Esse acompanhamento próximo é importante para apoiar quem trava na hora de começar.
Ao final da aula, os trabalhos são fixados em um mural coletivo na sala. Os alunos têm alguns minutos para caminhar e ver as produções dos colegas. Esse momento de apreciação é tão importante quanto a criação em si: os alunos percebem diferentes formas de representar o mesmo universo cultural, desenvolvendo repertório visual e respeito pelo trabalho do outro.
A atividade conecta diretamente as habilidades EF69AR05 e EF69AR01 da BNCC, trabalhando expressão artística e apreciação de formas visuais dentro de um contexto cultural brasileiro rico e significativo para essa faixa etária.
O principal foco dessa aula é fazer os alunos experimentarem a linguagem dos quadrinhos como forma de expressão artística real, não apenas como exercício. Quando o aluno escolhe um personagem folclórico e decide como vai contar a história dele em quadros, ele está tomando decisões visuais e narrativas ao mesmo tempo. Isso desenvolve o pensamento criativo de forma concreta. A conexão com o folclore brasileiro garante que o conteúdo cultural apareça de forma viva, não como decoração. O aluno precisa conhecer minimamente o personagem para representá-lo, o que estimula a pesquisa e a memória cultural. O mural coletivo ao final cria um momento de apreciação que amplia o repertório imagético de toda a turma.
O conteúdo dessa aula circula em torno de dois eixos que se complementam: a linguagem visual dos quadrinhos e o universo do folclore brasileiro. Os alunos precisam entender minimamente como um quadrinho funciona — sequência de quadros, balões, expressões — para conseguir criar o seu. Ao mesmo tempo, o personagem folclórico escolhido traz consigo um contexto cultural que precisa aparecer na história. Não é preciso dar uma aula teórica longa sobre nenhum dos dois temas. A roda de conversa inicial já cobre o essencial sobre as lendas, e o professor pode mostrar um exemplo rápido de quadrinho antes de os alunos começarem.
A aula combina conversa coletiva, criação individual e apreciação compartilhada. Começa com uma roda rápida para ativar o conhecimento prévio dos alunos sobre as lendas. Depois, o professor mostra brevemente um exemplo de quadrinho simples — pode ser desenhado na lousa ou impresso — para que todos entendam o formato antes de começar. A criação é individual, mas o ambiente é colaborativo: os alunos podem conversar baixinho, pedir opinião ao colega ao lado, mostrar o que estão fazendo. O professor circula ativamente, fazendo perguntas que estimulam a narrativa. O encerramento com o mural transforma a sala em uma pequena galeria, valorizando cada produção.
A aula foi pensada para 60 minutos e segue uma progressão natural: ativar, aprender o formato, criar e compartilhar. O tempo maior está reservado para a criação, que é o coração da atividade. Os momentos de conversa e apreciação são curtos, mas essenciais para dar contexto ao que os alunos vão fazer e para fechar a experiência de forma significativa. O professor deve ficar atento ao tempo durante a criação e avisar os alunos quando faltarem 10 minutos para o encerramento, para que todos consigam finalizar ao menos uma cena.
Momento 1: Roda de Conversa — Ativando o Conhecimento sobre o Folclore (Estimativa: 10 minutos)
Inicie a aula convidando os alunos a se organizarem em semicírculo ou permanecerem em suas carteiras, mas voltados para a lousa. Comece com uma pergunta simples e aberta: 'Quem aqui já ouviu falar de alguma lenda ou criatura do folclore brasileiro?' Permita que os alunos respondam livremente, sem pressão. À medida que os personagens forem sendo citados — Saci-Pererê, Curupira, Iara, Boitatá, Cuca, entre outros — anote os nomes na lousa de forma visível para toda a turma. Esse registro visual é importante: ele serve como referência durante toda a aula e ajuda os alunos que têm dificuldade de lembrar os personagens no momento da criação.
É importante que você valorize todas as contribuições, mesmo que o aluno mencione uma lenda regional menos conhecida. Diga algo como: 'Que interessante! Você pode nos contar um pouquinho sobre ela?' Isso estimula a participação e reforça que o conhecimento de cada um tem valor. Observe se há alunos que não participam verbalmente — eles podem estar observando e absorvendo, o que também é válido. Não force a participação, mas faça contato visual e sorria para esses alunos, sinalizando que o espaço está aberto para eles. Ao final da roda, faça uma breve síntese dos personagens listados na lousa, destacando que cada um deles tem características visuais e histórias únicas que serão exploradas na criação dos quadrinhos.
Momento 2: Apresentação do Formato de Quadrinhos (Estimativa: 10 minutos)
Com os personagens ainda anotados na lousa, apresente um exemplo simples de quadrinho com 4 quadros. Se possível, projete ou mostre uma folha ampliada com um exemplo criado previamente por você — algo simples, como o Saci-Pererê perdendo seu gorro em uma floresta e tentando recuperá-lo. Explique de forma clara e pausada os elementos básicos da linguagem dos quadrinhos: os quadros (cada um representa um momento da história), os balões de fala (o que o personagem diz), os balões de pensamento (o que ele pensa), as expressões faciais (como mostrar alegria, medo, surpresa) e o cenário de fundo (onde a história acontece).
Use perguntas curtas para verificar a compreensão: 'O que está acontecendo neste quadro?' ou 'Como vocês sabem que esse personagem está com medo?' Isso mantém os alunos ativos durante a explicação. É importante que você deixe claro que não é necessário desenhar perfeitamente — o que importa é contar a história. Diga algo como: 'Boneco palito com expressão de susto já conta uma história!' Essa fala reduz a ansiedade de alunos que se preocupam com a qualidade do desenho. Distribua as folhas A4 com os quadros pré-desenhados e, se tiver imagens de referência dos personagens folclóricos impressas ou projetadas, deixe-as visíveis para consulta durante a criação.
Momento 3: Criação Individual dos Quadrinhos (Estimativa: 30 minutos)
Oriente os alunos a escolherem livremente o personagem folclórico que querem representar e a começarem pelo esboço a lápis. Reforce que eles têm liberdade para criar a história que quiserem — pode ser uma aventura, um encontro engraçado, um momento de perigo. O único critério é que a história tenha início, meio e fim distribuídos nos quadros da folha.
Durante esse momento, circule pela sala de forma contínua e atenta. Observe se os alunos estão conseguindo estruturar a narrativa, se identificaram o personagem folclórico e se estão usando elementos visuais para comunicar a história. Para os alunos que travarem no início, faça perguntas orientadoras como: 'Onde seu personagem está no começo da história?', 'O que acontece de inesperado com ele?' ou 'Como a história termina — ele consegue o que queria?'. Evite dar respostas prontas; prefira perguntas que estimulem o raciocínio do próprio aluno.
Mantenha uma lista simples — pode ser mental ou em um papel — para registrar quem está avançando bem e quem precisa de mais suporte. Alunos que terminarem antes do tempo podem ser incentivados a colorir os quadrinhos ou adicionar detalhes ao cenário. É importante que você não interrompa o fluxo criativo dos alunos que estão concentrados — nesses casos, apenas observe e registre.
Momento 4: Montagem do Mural Coletivo (Estimativa: 5 minutos)
Avise os alunos com cerca de dois minutos de antecedência que a criação está chegando ao fim, para que possam concluir o que estão fazendo sem se sentirem interrompidos abruptamente. Em seguida, peça que cada aluno traga seu quadrinho para fixar no mural coletivo — pode ser uma parede da sala, um painel de cortiça ou uma área delimitada com fita adesiva na lousa. Distribua pedaços de fita adesiva ou durex para que os próprios alunos fixem seus trabalhos.
Organize o mural de forma que todos os quadrinhos fiquem visíveis e acessíveis à altura dos alunos. Se algum aluno não terminou a produção, permita que ele fixe mesmo assim — o processo de participação é mais importante do que a conclusão total. Evite qualquer comentário comparativo nesse momento; o foco é criar um espaço coletivo de exposição onde todos se sintam representados.
Momento 5: Apreciação das Produções e Encerramento (Estimativa: 5 minutos)
Convide os alunos a se levantarem e caminharem pelo mural para observar as produções dos colegas. Oriente-os a olhar com atenção e respeito, sem tocar nas folhas. Para guiar a apreciação, faça perguntas em voz alta para a turma enquanto todos observam: 'Alguém encontrou um quadrinho que te surpreendeu? Por quê?', 'Vocês perceberam personagens diferentes sendo representados de formas diferentes?'
Ao final, reúna a turma brevemente para a autoavaliação oral. Pergunte: 'O que foi mais difícil de fazer hoje?' e 'O que você mais gostou no quadrinho de um colega?' Permita que dois ou três alunos respondam voluntariamente — não é necessário que todos falem. Encerre a aula reforçando a ideia de que cada quadrinho é único porque cada aluno tem uma forma diferente de ver e contar a mesma história, e que isso é exatamente o que torna o folclore tão rico: ele se transforma a cada vez que é contado.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) Nível 1, algumas adaptações simples podem fazer uma grande diferença sem demandar recursos extras ou preparação elaborada da sua parte.
Na roda de conversa inicial, evite chamar diretamente o aluno com TEA para falar na frente de todos, pois situações de exposição social podem gerar desconforto. Prefira fazer contato visual e, se ele demonstrar interesse, abra espaço de forma suave: 'Você quer adicionar algum personagem à lista?' Se ele não quiser participar oralmente, aceite com naturalidade — ele pode estar absorvendo ativamente o conteúdo mesmo em silêncio.
Durante a apresentação do formato de quadrinhos, o exemplo visual na lousa ou projetado é especialmente útil para alunos com TEA, pois oferece uma referência concreta e previsível do que se espera na atividade. Se possível, deixe esse exemplo visível durante toda a criação individual — isso reduz a ansiedade de 'não saber o que fazer'.
Na etapa de criação, alunos com TEA podem se beneficiar de uma orientação mais estruturada no início. Você pode se aproximar discretamente e dizer algo como: 'Que tal começar escolhendo o personagem? Olha aqui na lousa, tem vários para escolher.' Ofereça uma sequência simples de passos: 1) escolher o personagem, 2) pensar no que acontece no começo, 3) pensar no meio e no fim. Isso transforma uma tarefa aberta em algo mais gerenciável. Flexibilize o critério de coerência narrativa para esses alunos — valorize a expressão e a participação, mesmo que a sequência narrativa não esteja completamente estruturada.
Na apreciação do mural, o momento de circulação pela sala pode ser desafiador para alunos com TEA que têm sensibilidade sensorial ou dificuldade com ambientes mais movimentados. Permita que o aluno observe o mural de um ponto fixo, se preferir, ou que faça a apreciação antes ou depois dos colegas, em um momento mais tranquilo. O importante é garantir que ele também tenha a experiência de ver seu trabalho exposto e reconhecido. Lembre-se: pequenas adaptações feitas com sensibilidade têm um impacto enorme na experiência desse aluno — e você já está no caminho certo ao pensar nisso.
A avaliação dessa atividade deve observar o processo criativo e o produto final, sem focar em habilidade técnica de desenho. O que importa é se o aluno conseguiu usar a linguagem dos quadrinhos para contar uma história com personagem folclórico reconhecível. Alunos com TEA podem ser avaliados com critérios adaptados, valorizando a participação e a expressão dentro do seu ritmo. O professor pode registrar observações durante a circulação pela sala, anotando quem precisou de mais apoio e quem demonstrou autonomia na criação.
Os materiais dessa aula são simples e acessíveis. A folha com quadros pode ser preparada pelo professor com antecedência — basta dividir uma folha A4 em 4 ou 6 retângulos. Não é necessário nenhum recurso digital obrigatório, o que torna a atividade viável em qualquer contexto. Se o professor quiser mostrar exemplos de quadrinhos ou imagens dos personagens folclóricos, pode usar o projetor ou imprimir algumas referências visuais para deixar disponíveis na mesa.
Trabalhar com alunos com TEA nível 1 não precisa ser complicado nessa atividade. A estrutura visual da folha com quadros já ajuda muito, porque deixa claro o que precisa ser feito em cada espaço. Para esses alunos, vale combinar antes da aula o que vai acontecer — uma sequência simples escrita ou desenhada na lousa ajuda a reduzir a ansiedade com o novo. Durante a roda de conversa, não force a participação oral; o aluno pode apontar para um personagem numa imagem ou escrever o nome. Na criação, respeite o ritmo: se o aluno precisar de mais tempo para começar, tudo bem. Fique atento a sinais de sobrecarga sensorial, como desconforto com o barulho da sala. Ter um cantinho mais tranquilo disponível pode fazer diferença.
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