Nessa atividade, os alunos vão trabalhar em grupos para criar um mini livro bilíngue artesanal com dois textos sobre o mesmo tema: um conto popular e uma crônica. A ideia central é que eles percebam, na prática, como o mesmo assunto pode ser tratado de formas completamente diferentes dependendo do gênero, do suporte e do objetivo comunicativo. Ao escrever os dois textos lado a lado, eles precisam tomar decisões reais de linguagem — escolher o tom, o vocabulário, a estrutura, o tipo de narrador e até o visual da página.
A atividade acontece em 60 minutos e segue a lógica da Aprendizagem Baseada em Projetos: cada grupo planeja, escreve, revisa e monta o livro durante a aula. O produto final é físico e artesanal — uma espécie de fanzine dobrado ou costurado, com divisão interna clara entre os dois gêneros, ilustrações feitas à mão e diagramação pensada pelo grupo.
O caráter bilíngue do livro é um diferencial importante. Ele valoriza os alunos imigrantes da turma, que podem contribuir com sua língua de origem na produção, tornando o projeto mais rico e representativo. Isso também abre espaço para conversar sobre como diferentes culturas contam histórias — quais temas aparecem nos contos populares de cada país, como a crônica existe (ou não) em outras tradições literárias.
Durante o processo, o professor circula pelos grupos, faz perguntas provocadoras e ajuda na revisão. Não é uma aula expositiva — é uma aula de fazer. Os alunos vão errar, reescrever, discutir entre si e tomar decisões coletivas. Esse processo todo é o aprendizado. A habilidade EF69LP07 é trabalhada de forma completa: planejamento, elaboração, revisão, edição e apresentação do texto final em suporte real.
O foco principal dessa atividade é fazer com que os alunos entendam que a língua não é neutra — ela muda conforme o contexto, o gênero e quem vai ler. Ao produzir dois textos sobre o mesmo tema, eles precisam tomar decisões linguísticas conscientes: por que o conto usa linguagem mais formal e estrutura narrativa clássica? Por que a crônica pode ser irônica, coloquial e opinativa? Essas perguntas não são respondidas pelo professor — são descobertas pelo grupo durante a escrita. O bilinguismo da proposta amplia esse olhar, mostrando que a língua também muda entre culturas.
O conteúdo dessa aula não é apresentado de forma expositiva antes da produção — ele é descoberto durante o fazer. Os alunos já chegam com algum conhecimento prévio sobre os gêneros, e o professor pode fazer uma retomada rápida de 5 a 10 minutos no início. Mas o grosso do aprendizado acontece quando o grupo precisa decidir, por exemplo, se o narrador do conto vai ser em terceira pessoa ou se a crônica pode começar com uma pergunta. Essas decisões são o conteúdo em ação.
A Aprendizagem Baseada em Projetos é a espinha dorsal dessa aula. Os alunos não recebem um roteiro fechado — eles recebem um desafio: criar um mini livro bilíngue com um conto e uma crônica sobre o mesmo tema. As decisões de tema, divisão de tarefas, estilo visual e línguas usadas são do grupo. O professor atua como orientador, fazendo perguntas que ajudam o grupo a avançar quando travar, e não dando as respostas prontas. Essa postura é intencional: o protagonismo estudantil é parte do método.
Os 60 minutos foram pensados para que o grupo consiga entregar um produto concreto ao final da aula. O tempo é curto, então a organização interna do grupo é fundamental. O professor precisa deixar claro desde o início que o mini livro não precisa ser perfeito — precisa ser intencional. Cada escolha feita pelo grupo deve ter uma razão, e é isso que vai ser avaliado.
A avaliação dessa atividade é predominantemente formativa — o professor acompanha o processo durante a aula, observa as decisões do grupo e intervém com perguntas quando necessário. O produto final (o mini livro) também é avaliado, mas o foco está no processo de produção e nas escolhas feitas pelo grupo, não na perfeição do texto. Para alunos imigrantes, a avaliação considera a participação na língua de origem como contribuição legítima e valorizada.
Os recursos dessa atividade são intencionalmente simples e de baixo custo. A ideia é que o mini livro seja artesanal — feito com papel, caneta e criatividade. Isso democratiza a participação e evita que alunos sem acesso a tecnologia fiquem em desvantagem. As fichas de apoio linguístico são o principal recurso de inclusão para alunos imigrantes e devem ser preparadas com antecedência pelo professor.
Essa atividade foi pensada para ser naturalmente inclusiva para alunos imigrantes — o bilinguismo não é uma adaptação, é parte do projeto. Ainda assim, vale atenção a alguns pontos. Alunos com barreira linguística podem travar na hora de escrever em português. A ficha de apoio ajuda, mas o mais importante é que o professor deixe claro que escrever parte do texto na língua de origem é uma contribuição valiosa, não uma limitação. Fique atento a alunos que ficam em silêncio durante o trabalho em grupo — pode ser insegurança linguística, não desinteresse. Sentar esses alunos com colegas acolhedores e dar a eles funções visuais (ilustração, diagramação) no início pode ajudar a construir confiança para depois participar da escrita.
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