Que Letra Faz Esse Barulhinho?

Desenvolvida por: Pamela… (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa – Leitura/Escuta (compartilhada e autônoma)
Temática: Consciência Fonológica: sons, sílabas e palavras

Essa aula foi pensada para crianças de 6 e 7 anos que estão começando a entender que as palavras têm sons, e que esses sons podem ser escritos. A ideia central é simples: o professor lê um texto ilustrado em voz alta, com palavras que se repetem bastante, e vai chamando a atenção das crianças para os sons que aparecem. Depois da leitura, os alunos identificam palavras que começam com o mesmo som, o que ajuda a perceber padrões sonoros na língua.

Na parte prática, cada criança recebe tirinhas de papel com sílabas impressas. Com essas tirinhas, elas montam palavras que apareceram durante a leitura, colam numa folha e desenham o objeto que a palavra representa. Essa sequência une o som, a escrita e a imagem, três formas diferentes de representar a mesma coisa.

A atividade está alinhada com a habilidade EF01LP08 da BNCC, que pede que os alunos relacionem elementos sonoros com sua representação escrita. Mas vai além disso: ao ouvir, falar, montar e desenhar, as crianças trabalham com diferentes linguagens ao mesmo tempo.

A turma tem alunos com dificuldades de socialização, imigrantes com barreiras linguísticas e crianças em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Por isso, o plano traz adaptações concretas: o texto escolhido deve ter imagens grandes e claras, as tirinhas de sílabas são fornecidas pelo professor (sem custo para o aluno), e a atividade pode ser feita em duplas para favorecer a interação entre colegas.

O professor conduz a aula com leveza, usando gestos e entonação para ajudar quem ainda não domina bem o português. O desenho no final serve como forma de expressão para quem ainda tem dificuldade com a escrita. Nenhum aluno precisa de material próprio para participar, o que garante que todos possam estar na mesma atividade, do começo ao fim.

Objetivos de Aprendizagem

O foco dessa aula é fazer com que os alunos comecem a perceber que as palavras são feitas de pedaços sonoros, e que esses pedaços têm uma forma escrita. Isso é a base da alfabetização. Quando a criança consegue ouvir que 'bola' e 'boca' começam igual, ela está dando um passo enorme. A aula também trabalha a escuta ativa, já que os alunos precisam prestar atenção na leitura para depois identificar as palavras. O desenho no final conecta o que foi aprendido com algo que a criança já sabe fazer, tornando o aprendizado mais concreto e acessível.

  • Identificar palavras que começam com o mesmo som durante e após a leitura compartilhada.
  • Montar palavras usando tirinhas de sílabas, relacionando o som ouvido à forma escrita.
  • Representar por meio do desenho o significado de palavras montadas com as sílabas.
  • Participar da leitura compartilhada, acompanhando o texto com atenção e respondendo a perguntas simples.
  • Reconhecer que diferentes palavras podem compartilhar sons iguais no início, no meio ou no fim.

Habilidades Específicas BNCC

Conteúdo Programático

O conteúdo dessa aula gira em torno da consciência fonológica, que é a capacidade de perceber e manipular os sons da língua. Isso não é só um conteúdo de Língua Portuguesa: envolve também percepção auditiva, organização do pensamento e expressão visual. O texto ilustrado funciona como ponto de partida para tudo isso. A montagem de palavras com sílabas é o momento em que o conteúdo sonoro vira conteúdo escrito, e o desenho fecha o ciclo conectando a palavra ao seu significado no mundo real.

  • Consciência fonológica: identificação de sons iniciais iguais em palavras diferentes.
  • Relação entre fonema e grafema: como um som se transforma em letra ou sílaba escrita.
  • Leitura compartilhada: escuta ativa e acompanhamento de texto com imagens.
  • Montagem de palavras com sílabas: sequência e organização das partes de uma palavra.
  • Representação gráfica: desenho como forma de expressar o significado de palavras.

Metodologia

A aula começa com o professor lendo o texto em voz alta, com entonação expressiva e apontando para as imagens. Depois, abre uma conversa rápida sobre os sons: 'Quem achou uma palavra que começa igual a bola?' Essa parte é coletiva e oral. Na sequência, vem o trabalho individual com as tirinhas de sílabas, que cada criança recebe já cortadas e separadas por palavra. O professor circula pela sala, observa e apoia quem tiver dificuldade. O desenho no final é livre, sem avaliação estética, só para registrar o significado. Essa sequência garante que todos os alunos participem em algum momento, seja na roda de leitura, na conversa ou na montagem.

  • Leitura em voz alta pelo professor com texto ilustrado, usando entonação e gestos para engajar os alunos.
  • Roda de conversa oral para identificar palavras com sons iguais, com participação coletiva e sem pressão.
  • Atividade manual de montagem de palavras com tirinhas de sílabas fornecidas pelo professor.
  • Colagem das palavras montadas em uma folha e desenho do objeto correspondente.
  • Circulação do professor pela sala durante a atividade para oferecer suporte individualizado.

Aulas e Sequências Didáticas

A aula de 60 minutos foi dividida em etapas que alternam momentos coletivos e individuais. Isso ajuda a manter o ritmo das crianças pequenas, que cansam rápido de uma só atividade. A leitura abre a aula com estímulo auditivo e visual. A conversa sobre sons aproveita o entusiasmo do momento. A montagem das palavras é o ponto central, onde o aprendizado acontece de forma prática. O desenho fecha com uma atividade mais tranquila, que serve também como registro do que foi aprendido.

  • Aula 1: Leitura compartilhada do texto ilustrado pelo professor (15 min) → Roda de conversa sobre palavras com sons iguais (10 min) → Montagem de palavras com tirinhas de sílabas e colagem na folha (20 min) → Desenho do objeto correspondente a cada palavra montada (10 min) → Fechamento coletivo: cada criança mostra uma palavra que montou (5 min).
  • Momento 1: Leitura Compartilhada do Texto Ilustrado (Estimativa: 15 minutos)
    Antes de iniciar, organize as crianças em semicírculo ou em roda no chão, garantindo que todas consigam ver as imagens do livro ou da folha impressa. Escolha um texto com palavras simples, repetitivas e imagens grandes e coloridas — quanto mais visual, melhor para essa faixa etária. Comece a leitura em voz alta com entonação expressiva, variando o tom para palavras que se repetem e usando gestos para ilustrar o significado de termos que possam ser desconhecidos. É importante que você pause em momentos estratégicos e aponte para as imagens, perguntando: 'O que vocês veem aqui?' ou 'Essa palavra começa com que barulhinho?'. Permita que as crianças respondam livremente, sem pressão. Ao encontrar palavras que começam com o mesmo som, destaque-as com entusiasmo: 'Olha! Bola e boca... os dois começam igual! Vocês ouviram?'. Repita as palavras devagar, enfatizando o som inicial. Observe se os alunos acompanham com o olhar as imagens e demonstram reações ao texto — isso já é um indicador de engajamento e compreensão inicial.

    Momento 2: Roda de Conversa — Palavras com Sons Iguais (Estimativa: 10 minutos)
    Mantenha as crianças em roda e conduza uma conversa coletiva sobre os sons que apareceram no texto. Escreva no quadro ou em um cartaz duas ou três palavras que foram lidas e pergunte: 'Alguém lembra de uma palavra que começa igual a essa aqui?'. Aponte para a palavra escrita e pronuncie-a devagar, ressaltando o som inicial. Incentive a participação de todos, mas sem obrigar ninguém a falar — diga algo como: 'Quem quiser pode me ajudar!'. À medida que as crianças sugerirem palavras, escreva-as no quadro e repita em voz alta, reforçando o padrão sonoro. Use gestos como bater palma no início da palavra para marcar o som. É importante que você circule o olhar por toda a turma, incluindo crianças mais quietas com um aceno ou um sorriso encorajador. Anote mentalmente ou em uma lista simples quais alunos participaram oralmente — isso será útil para a avaliação da roda de conversa.

    Momento 3: Montagem de Palavras com Tirinhas de Sílabas (Estimativa: 20 minutos)
    Distribua para cada aluno (ou dupla) um envelope ou conjunto de tirinhas de sílabas já cortadas, a folha A4 e a cola. Explique a atividade com uma demonstração prática: pegue as tirinhas de uma palavra, coloque-as na ordem correta sobre a mesa e diga em voz alta cada sílaba antes de colar. Diga: 'Vamos montar a palavra BOLA. Primeiro vem BO... depois LA... BO-LA! Agora eu colo!'. Permita que os alunos trabalhem em duplas, o que favorece a troca entre colegas e ajuda quem tem mais dificuldade. Circule pela sala durante toda essa etapa, observando a organização das sílabas e oferecendo suporte individualizado. Quando perceber que uma criança está com dificuldade, sente-se ao lado, aponte para as tirinhas e pergunte: 'Qual barulhinho vem primeiro nessa palavra?'. Evite dar a resposta diretamente — prefira conduzir a criança à descoberta. Observe se as sílabas estão sendo coladas na sequência correta e se a criança demonstra compreender a relação entre o som e a escrita.

    Momento 4: Desenho do Objeto Correspondente à Palavra (Estimativa: 10 minutos)
    Após colar as palavras na folha, peça que cada criança desenhe ao lado de cada palavra o objeto ou ser que ela representa. Diga: 'Agora que você montou a palavra BOLA, desenhe uma bola aqui do lado!'. Distribua os lápis de cor ou canetinhas e permita que as crianças expressem o significado das palavras por meio do desenho com liberdade. É importante que você valorize todos os desenhos, independentemente do nível de detalhamento — o que importa é a relação entre a palavra e a imagem produzida. Para crianças que ainda têm dificuldade com a escrita ou com a montagem das sílabas, o desenho é a principal forma de demonstrar compreensão, portanto, trate esse momento com a mesma seriedade das etapas anteriores. Circule pela sala, faça perguntas como: 'O que você desenhou aqui?' e registre mentalmente quem conseguiu relacionar o desenho à palavra montada.

    Momento 5: Fechamento Coletivo — Cada Criança Mostra Sua Palavra (Estimativa: 5 minutos)
    Reúna a turma novamente em roda e convide cada criança a mostrar sua folha e falar em voz alta pelo menos uma palavra que montou. Diga: 'Agora cada um vai mostrar uma palavra que montou hoje. Pode ser qualquer uma!'. Conduza esse momento com leveza e celebração — aplauda cada apresentação e repita a palavra junto com a turma. Caso alguma criança não queira falar, permita que apenas mostre o desenho, sem forçar a fala. Esse momento serve como autoavaliação oral e também como oportunidade para o professor identificar quem ainda precisa de reforço. Ao final, faça uma síntese rápida: 'Hoje a gente descobriu que muitas palavras começam com o mesmo barulhinho. Vocês foram incríveis!'. Recolha as folhas para análise posterior, verificando a montagem das sílabas e a correspondência entre palavra e desenho.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você tem uma turma diversa e isso é uma riqueza! Veja algumas sugestões práticas para garantir que todos os alunos participem com conforto e dignidade ao longo dessa aula:

    Para alunos com dificuldades de socialização: Organize as duplas com cuidado, pareando crianças com perfis complementares — uma mais comunicativa com outra mais reservada. Durante a roda de conversa, não exija participação oral espontânea; ofereça alternativas como apontar para a palavra no quadro ou acenar com a cabeça. No fechamento coletivo, permita que a criança apenas mostre o desenho, sem precisar falar. Pequenos gestos de encorajamento, como um sorriso ou um 'muito bem' discreto, fazem grande diferença para quem tem dificuldade de se expor socialmente.

    Para alunos imigrantes com barreiras linguísticas: Use gestos, expressões faciais e imagens como suporte constante durante toda a aula. Ao apresentar o texto, aponte para as imagens e nomeie os objetos devagar e com clareza. Nas tirinhas de sílabas, inclua uma pequena imagem do objeto ao lado da palavra para que a criança possa associar visualmente. Durante a montagem, sente-se ao lado desse aluno por alguns minutos e faça a atividade junto, pronunciando cada sílaba com calma. Na avaliação, aceite o desenho como resposta válida, mesmo que a montagem das sílabas esteja incompleta — o que importa é a compreensão do significado.

    Para alunos com baixa participação por fatores socioeconômicos: Certifique-se de que todos os materiais sejam fornecidos pela escola — tirinhas, cola, folha e lápis de cor. Nenhum aluno deve precisar trazer algo de casa para participar. Evite atividades que dependam de experiências ou objetos que possam não fazer parte da realidade desses alunos. Ao circular pela sala, dedique atenção especial a essas crianças, garantindo que estejam engajadas e com os materiais necessários em mãos. O trabalho em duplas também é um aliado importante, pois reduz a pressão individual e promove a colaboração entre colegas.

Avaliação

A avaliação dessa aula é principalmente observacional e formativa. O professor não precisa de prova ou ficha complexa: o que importa é perceber se a criança está conseguindo relacionar o som à escrita. Isso aparece na fala durante a roda, na montagem das sílabas e no desenho. Duas ou três formas simples de registro já são suficientes para acompanhar o progresso de cada aluno. Para crianças com barreiras linguísticas, o desenho vale como evidência de compreensão mesmo quando a fala ainda é limitada.

  • Observação durante a roda de conversa: o professor anota (numa lista simples com os nomes da turma) quais alunos conseguiram identificar palavras com sons iguais. Critério: a criança apontou ou falou pelo menos uma palavra com som inicial igual a outra. Exemplo: durante a roda, Pedro diz 'bola e boca começam igual', o professor marca como atingido.
  • Análise da folha de montagem e desenho: o professor recolhe as folhas ao final e verifica se as sílabas foram coladas na ordem correta e se o desenho corresponde à palavra. Critério: pelo menos duas palavras montadas corretamente com desenho identificável. Para alunos com barreiras linguísticas, aceitar desenhos mesmo sem a colagem completa.
  • Fechamento coletivo (autoavaliação oral): cada criança mostra uma palavra que montou e fala o nome em voz alta. Critério: a criança consegue pronunciar a palavra e relacioná-la à imagem que desenhou. Esse momento também serve para o professor perceber quem ainda precisa de reforço na próxima aula.

Materiais e ferramentas:

Os materiais foram escolhidos por serem simples, baratos e fáceis de preparar. O texto ilustrado pode ser um livro da biblioteca da escola ou uma folha impressa com fonte grande e imagens coloridas. As tirinhas de sílabas o professor prepara antes da aula, imprimindo ou escrevendo à mão e cortando. A folha para colagem e os lápis de cor são os únicos materiais que o aluno usa, e tudo pode ser fornecido pela escola para garantir que nenhuma criança fique de fora por falta de material.

  • Texto ilustrado com palavras simples e repetitivas (livro da biblioteca ou folha impressa com fonte grande, mínimo 24pt).
  • Tirinhas de papel com sílabas impressas ou escritas à mão, já cortadas e separadas por palavra (preparadas antes da aula).
  • Cola em bastão ou fita adesiva para fixar as sílabas na folha.
  • Folha A4 branca ou sulfite para cada aluno (colagem e desenho).
  • Lápis de cor ou canetinhas para o desenho final.
  • Quadro ou cartaz para escrever as palavras identificadas durante a roda de conversa.

Inclusão e acessibilidade

Essa turma tem desafios reais, e o professor não precisa resolver tudo de uma vez. Pequenas adaptações já fazem muita diferença. Para os alunos imigrantes, o texto com imagens grandes é um apoio natural: a criança entende pelo visual mesmo sem dominar o português ainda. O desenho no final também funciona como uma ponte entre o que ela sabe e o que está aprendendo. Para quem tem dificuldade de socialização, a atividade individual com tirinhas é menos ameaçadora do que trabalhos em grupo. O fechamento coletivo pode ser opcional para essas crianças. Para alunos em situação de vulnerabilidade, garantir que todos os materiais sejam fornecidos pela escola é o primeiro passo. Fique atento a sinais de desconforto, como criança que recusa participar ou fica isolada durante a roda.

  • Alunos imigrantes com barreiras linguísticas: escolher um texto com imagens grandes e claras que ilustrem cada palavra; durante a roda, aceitar respostas por gestos ou apontando figuras; as tirinhas de sílabas podem ter uma pequena imagem ao lado para ajudar na identificação.
  • Alunos com dificuldades de socialização: permitir que a montagem das sílabas seja feita individualmente, sem obrigatoriedade de trabalho em dupla; no fechamento coletivo, dar a opção de mostrar a folha sem precisar falar em voz alta para a turma.
  • Alunos com baixa participação por fatores socioeconômicos: todos os materiais (folha, cola, lápis de cor, tirinhas) devem ser fornecidos pela escola; evitar qualquer atividade que dependa de material trazido de casa.
  • Adaptação geral de ritmo: ter tirinhas extras com palavras mais simples (duas sílabas) para quem tiver mais dificuldade, e palavras mais longas para quem terminar antes, sem destacar publicamente essa diferença.
  • Sinal de alerta: criança que não interage com as tirinhas mesmo após o suporte do professor pode estar com dificuldade fonológica mais significativa, e vale registrar para conversar com a coordenação pedagógica.

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