Essa atividade convida os alunos do 1º ano a olharem para a própria história familiar e perceberem que as famílias mudam com o tempo, mas também guardam muitas coisas em comum. A ideia central é simples e poderosa: comparar como era a família dos avós com como é a família de hoje. Tudo começa com o professor desenhando no quadro duas cenas: uma família de antigamente e uma família atual. A turma observa, comenta e vai percebendo diferenças nas roupas, nas casas, nas brincadeiras e até no tamanho das famílias. Esse momento inicial é coletivo e cheio de troca. Depois, cada criança recebe uma folha dividida em dois lados, 'Antes' e 'Agora', e desenha livremente como imagina que era a família dos avós e como é a sua família hoje. O professor circula pela sala, conversa com cada aluno, faz perguntas como 'O que você acha que mudou nas brincadeiras do seu avô?' ou 'Sua família tem o mesmo número de pessoas que a família do seu avô tinha?'. Essas perguntas ajudam a criança a pensar historicamente de um jeito concreto e próximo da sua vida. No final, os alunos se organizam em duplas para mostrar e explicar seus desenhos um para o outro. Esse momento de compartilhamento treina a escuta, o respeito e a valorização das diferenças, já que cada família é única. A atividade não usa recursos digitais, o que favorece a concentração e a expressão criativa pelo desenho e pela fala. Em 60 minutos, os alunos passam por três momentos bem definidos: observação coletiva, produção individual e compartilhamento em duplas. O plano está alinhado às habilidades EF01HI07, EF01HI02 e EF01HI04 da BNCC, conectando história pessoal, família e comunidade de forma natural e significativa para crianças de 6 e 7 anos.
Os objetivos dessa aula foram pensados para que a criança consiga fazer uma conexão real entre o que ela vive e o que aconteceu antes dela. Não se trata de memorizar datas ou nomes, mas de perceber que o tempo passa e as coisas mudam, inclusive dentro de casa. O professor vai mediar esse processo com perguntas simples e diretas, ajudando cada aluno a organizar o que já sabe sobre sua família e a imaginar como era a vida dos avós. A atividade de desenho é o caminho para isso: ao representar 'antes' e 'agora', a criança externaliza seu pensamento e o professor consegue acompanhar o raciocínio de cada um. O momento em duplas reforça que cada família tem sua história, e isso precisa ser respeitado.
O conteúdo dessa aula parte do que os alunos já conhecem: a própria família. A partir daí, o professor amplia o olhar para o passado, mostrando que as famílias de antigamente tinham hábitos, espaços e formas de se organizar diferentes das de hoje. Esse movimento do conhecido para o desconhecido é fundamental para crianças dessa faixa etária. O conteúdo não é abstrato, ele aparece nos desenhos, nas conversas e nas comparações que os próprios alunos fazem. A diversidade familiar também entra aqui de forma natural: famílias grandes, pequenas, com avós, sem avós, monoparentais, todas têm espaço nessa aula.
A aula usa três movimentos pedagógicos bem encadeados. Primeiro, uma conversa coletiva a partir de imagens desenhadas no quadro, que serve para ativar o que os alunos já sabem e criar curiosidade. Depois, uma produção individual onde cada criança expressa seu entendimento pelo desenho, sem pressão por resposta certa. Por último, a troca em duplas, que é o momento mais rico para o desenvolvimento socioemocional. O professor tem um papel ativo durante toda a aula, mas não de transmitir respostas, e sim de fazer perguntas que provoquem o pensamento. Essa abordagem investigativa respeita o ritmo de cada criança e valoriza o que ela já sabe.
A aula de 60 minutos está organizada em três blocos com tempos flexíveis, já que turmas do 1º ano têm ritmos variados. O professor pode ajustar o tempo de cada bloco conforme o engajamento da turma. O importante é garantir que todos os alunos cheguem ao momento de compartilhamento em duplas, pois é ali que a aprendizagem se consolida de forma mais significativa.
Momento 1: Observação e Conversa Coletiva – Antes e Agora (Estimativa: 15 minutos)
Inicie a aula desenhando no quadro duas cenas familiares simples e bem contrastantes: de um lado, uma família de antigamente (com roupas antigas, casa simples, brincadeiras ao ar livre, família numerosa) e, do outro lado, uma família atual (com roupas modernas, casa contemporânea, brincadeiras típicas dos dias de hoje). Não é necessário que os desenhos sejam elaborados — figuras simples e esquemáticas já são suficientes para estimular a imaginação das crianças. Escreva as palavras 'ANTES' e 'AGORA' acima de cada cena para reforçar a noção temporal.
Após finalizar os desenhos, convide os alunos a observarem com atenção e conduza a conversa com perguntas abertas como: 'O que vocês estão vendo nesse desenho?', 'O que vocês acham que mudou de antigamente para hoje?', 'O que continua igual nas duas famílias?', 'Como vocês acham que as crianças brincavam antes?' e 'A família de vocês se parece mais com qual dos dois lados?'. É importante que você valorize todas as respostas, repetindo-as em voz alta para a turma e conectando-as ao tema da aula. Permita que os alunos se expressem livremente, incentivando a participação de crianças mais tímidas com perguntas diretas e gentis, como 'E você, o que acha?'.
Observe se os alunos conseguem identificar pelo menos uma diferença entre as duas cenas. Esse é um indicador inicial de compreensão da noção de mudança no tempo. Ao final desse momento, sinalize a transição dizendo algo como: 'Agora vocês vão fazer os seus próprios desenhos sobre a família de vocês!'
Momento 2: Produção Individual – Minha Folha Antes e Agora (Estimativa: 25 minutos)
Distribua para cada aluno uma folha A4 dobrada ao meio, com os títulos 'Antes' e 'Agora' já escritos em cada metade. Explique com clareza o que cada lado representa: 'No lado do Antes, vocês vão desenhar como imaginam que era a família dos avós de vocês. No lado do Agora, vocês vão desenhar como é a família de vocês hoje.' Reforce que não existe resposta certa ou errada — o que importa é o que cada criança imagina e sente sobre sua própria família.
Disponibilize os lápis de cor, giz de cera e lápis grafite sobre as mesas e oriente os alunos a começarem pelo lado que preferirem. Durante toda essa etapa, circule pela sala ativamente, parando em cada mesa para conversar individualmente com cada criança. Faça perguntas instigadoras e personalizadas, como: 'Me conta o que você está desenhando aqui no lado do Antes', 'O que você acha que mudou nas roupas da família do seu avô?', 'Sua família tem o mesmo número de pessoas que a família do seu avô tinha?' e 'O que continua igual na sua família e na família dos seus avós?'.
É importante que você use esse momento de circulação também para registrar em sua caderneta observações sobre cada aluno: se a criança consegue identificar diferenças entre os dois lados, se representa elementos relacionados ao tema família, se precisa de mais apoio para iniciar a atividade. Para alunos que demonstrarem dificuldade em começar, ofereça um ponto de partida concreto, como: 'Que tal começar desenhando as pessoas da sua família? Quantas pessoas moram com você?' Permita que os alunos trabalhem em silêncio ou em conversa baixa com o colega ao lado, respeitando o ritmo de cada um.
Observe se os alunos estão representando elementos distintos nos dois lados da folha, o que indica percepção de mudança ao longo do tempo. Ao perceber que a maioria está concluindo, avise com antecedência: 'Vamos ter mais uns 3 minutinhos para terminar os desenhos, tá?'
Momento 3: Compartilhamento em Duplas e Encerramento Coletivo (Estimativa: 20 minutos)
Organize os alunos em duplas — preferencialmente com colegas que já estejam sentados próximos para facilitar a transição. Explique a dinâmica com clareza: 'Agora cada um vai mostrar o seu desenho para o colega e contar o que desenhou. Enquanto um fala, o outro escuta com atenção. Depois trocam!' Reforce a importância de ouvir sem interromper, usando uma linguagem acessível: 'Quando o colega estiver falando, a gente espera a vez, igual quando a gente espera na fila.'
Durante os primeiros minutos, circule pelas duplas e fique próximo de uma ou duas por cerca de 2 minutos cada, observando a qualidade da troca: se os alunos esperam o colega terminar de falar, se fazem algum comentário ou pergunta relacionada ao que ouviram e se demonstram respeito pelas diferenças entre as famílias. Intervenha gentilmente quando necessário, mediando a conversa com perguntas como: 'Você gostou do que o colega desenhou? Tem alguma coisa parecida com a sua família?'
Nos últimos 8 a 10 minutos, reúna a turma novamente em roda ou de frente para o quadro e convide 2 ou 3 voluntários para compartilhar algo que descobriram ou desenharam. Valorize cada fala com comentários positivos e conecte as respostas ao tema central: 'Que legal! Então a família do avô do João morava numa casa diferente da de hoje. Isso é uma mudança!' Encerre a aula reforçando a mensagem principal de forma simples e afetiva: 'Cada família é única e especial. As famílias mudam com o tempo, mas o amor e o cuidado continuam sempre!'
Recolha as folhas ao final para análise posterior, verificando se há representação nos dois lados e se os elementos desenhados têm relação com o tema família.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as orientações a seguir têm caráter preventivo e inclusivo, garantindo que todos os alunos participem com conforto e segurança.
Para crianças com maior dificuldade de expressão oral, saiba que o desenho já é, por si só, uma forma legítima de comunicação nessa faixa etária. Não pressione a criança a falar — valorize o que ela produziu visualmente e faça perguntas de resposta simples, como 'Quem é essa pessoa que você desenhou?'.
Para alunos que demonstrarem insegurança ou timidez durante o compartilhamento em duplas, permita que a criança apenas mostre o desenho sem precisar explicar verbalmente, caso se sinta mais confortável assim. A escuta e a observação também são formas de participação.
Para crianças que concluírem a atividade mais rapidamente, tenha uma proposta complementar simples: peça que escrevam ou tentem escrever o nome de um membro da família em cada lado da folha, respeitando o nível de escrita de cada um.
Para crianças que apresentarem dificuldade em imaginar como era a família dos avós, ofereça perguntas de apoio mais concretas: 'Você já viu foto antiga de alguém da sua família? Como as roupas eram diferentes?' Se a criança não tiver referência dos avós, adapte a pergunta para 'uma família de muito tempo atrás', sem exigir que seja necessariamente a sua.
Lembre-se: pequenas adaptações no modo de perguntar e no tempo de espera pela resposta já fazem uma grande diferença para que todas as crianças se sintam incluídas e valorizadas. Você já está fazendo um trabalho incrível ao criar um espaço de escuta e respeito na sua sala!
A avaliação nessa aula é principalmente formativa, ou seja, acontece durante o processo e não no final com uma nota. O professor observa, escuta e registra o que cada aluno demonstra ao longo da atividade. Não existe resposta certa ou errada nos desenhos: o que importa é se a criança conseguiu identificar alguma diferença ou semelhança entre o passado e o presente da sua família. O momento em duplas também é avaliativo, pois mostra se o aluno consegue comunicar suas ideias e ouvir o colega. Para alunos que têm mais dificuldade com o desenho, a fala durante a circulação do professor já é suficiente para avaliar a compreensão.
Todos os recursos dessa aula são simples e de baixo custo, o que facilita muito a execução. A escolha por materiais físicos é intencional: lápis de cor, giz e papel são suficientes para que as crianças se expressem sem distração. O quadro é o principal recurso do professor para o momento inicial, e a folha dividida é o recurso central dos alunos. Não há necessidade de impressão elaborada: a folha pode ser dobrada ao meio pelo próprio professor antes da aula.
Toda turma tem sua diversidade, mesmo quando não há diagnósticos formais. Alguns alunos vão chegar com histórias familiares muito diferentes das que aparecem nos exemplos do quadro, como famílias monoparentais, crianças criadas por avós ou famílias com configurações não tradicionais. O professor precisa estar atento para não reforçar um modelo único de família. As perguntas durante a circulação devem ser abertas o suficiente para acolher qualquer configuração familiar. Para crianças com mais dificuldade motora no desenho, a fala é igualmente válida como forma de expressão. Fique atento a alunos que ficam paralisados diante da folha: uma conversa individual antes de começar a desenhar já resolve na maioria dos casos.
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