Fake ou Real? Separando fatos de opiniões nas notícias do dia a dia

Desenvolvida por: Júlia … (com assistência da tecnologia Profy)
Área do Conhecimento/Disciplinas: Língua Portuguesa – Produção de Textos
Temática: Leitura crítica, fato, opinião e argumentação

Essa atividade nasce de uma necessidade real dos alunos do 9º ano: ler o mundo com mais cuidado. Vivemos num tempo em que notícias falsas circulam nas mesmas plataformas que informações confiáveis, e saber distinguir um fato de uma opinião é uma habilidade que vai muito além da sala de aula. A proposta é trazer textos reais — notícias de portais como G1, UOL e Agência Brasil, além de posts de redes sociais — para que os alunos aprendam a identificar marcas linguísticas que revelam se um texto está relatando algo ou defendendo um ponto de vista.

Na primeira aula, o professor apresenta os três conceitos centrais: fato, opinião e posicionamento crítico. A ideia não é dar uma aula expositiva longa, mas sim usar exemplos concretos e provocar a turma com perguntas diretas. O professor pode projetar uma manchete e perguntar: 'Isso é um fato ou uma opinião? Como você sabe?' Essa dinâmica ativa a curiosidade e prepara os alunos para a segunda aula.

Na segunda aula, os alunos trabalham em duplas com textos variados — uma notícia factual, um artigo de opinião e um post de rede social. Eles identificam e classificam os elementos discutidos, usando uma ficha de análise simples. No final, cada aluno escreve um parágrafo argumentativo sobre um dos temas lidos, expressando seu próprio posicionamento com base em argumentos. Esse parágrafo é o produto final da atividade e serve como avaliação da aprendizagem.

A atividade conecta diretamente com o ENEM, especialmente na leitura de textos da prova e na escrita da redação dissertativo-argumentativa. Também trabalha habilidades socioemocionais importantes: escuta ativa, respeito a opiniões diferentes e confiança para defender um ponto de vista com argumentos. Para alunos com deficiência auditiva, os recursos visuais e escritos são centrais desde o início. Para alunos com TEA nível 1, a estrutura clara das aulas e a ficha de análise oferecem o suporte necessário para participar com segurança.

Objetivos de Aprendizagem

O foco dessa atividade é desenvolver nos alunos a capacidade de ler textos com mais consciência e intencionalidade. Ler uma notícia e perceber que ela carrega marcas de subjetividade, ou reconhecer que um artigo de opinião usa estratégias argumentativas específicas, são habilidades que transformam a relação do aluno com a informação. A escrita do parágrafo argumentativo fecha esse ciclo: o aluno não só identifica o posicionamento alheio, mas aprende a construir o seu próprio com coerência e clareza. Isso é essencial tanto para o ENEM quanto para a vida.

  • Diferenciar fato, opinião e posicionamento crítico em textos jornalísticos e de redes sociais.
  • Identificar marcas linguísticas que indicam subjetividade, julgamento de valor ou relato factual.
  • Analisar criticamente textos de diferentes gêneros discursivos com foco na intencionalidade do autor.
  • Produzir um parágrafo argumentativo coeso, com tese clara e argumento de apoio.
  • Desenvolver postura crítica diante de informações do cotidiano, especialmente em contextos digitais.

Habilidades Específicas BNCC

  • EF89LP04: Identificar e avaliar afirmações de fato e de valor, tanto nos textos que lê quanto nos que produz, reconhecendo os diferentes recursos linguísticos utilizados para expressar certeza, dúvida, opinião e julgamento. Conheça mais sobre a EF89LP04
  • EF89LP05: Analisar, em textos argumentativos e persuasivos, os movimentos argumentativos utilizados (sustentação, refutação e negociação), avaliando a força dos argumentos. Conheça mais sobre a EF89LP05
  • EF89LP11: Produzir, revisar e editar textos argumentativos de diferentes gêneros, como artigos de opinião, cartas de leitor e comentários, utilizando estratégias argumentativas adequadas ao gênero e ao contexto. Conheça mais sobre a EF89LP11
  • EF69LP44: Inferir a presença de valores e estereótipos nos discursos em geral, identificando nesses discursos o modo como a linguagem é usada para influenciar e manipular. Conheça mais sobre a EF69LP44

Conteúdo Programático

O conteúdo programático dessa atividade está organizado em torno de três eixos que se complementam: a teoria dos gêneros discursivos (notícia e artigo de opinião), a análise linguística com foco em marcadores de subjetividade e objetividade, e a produção textual argumentativa. A ideia é que os alunos não aprendam esses conteúdos de forma isolada, mas sempre em contato com textos reais e situações comunicativas concretas.

  • Conceitos de fato, opinião e posicionamento crítico.
  • Gêneros discursivos: notícia jornalística e artigo de opinião — características e diferenças.
  • Marcas linguísticas de subjetividade: verbos de opinião, adjetivos avaliativos, modalizadores.
  • Marcas de objetividade: linguagem impessoal, dados, fontes citadas.
  • Estrutura do parágrafo argumentativo: tese, argumento e conclusão.
  • Leitura crítica de textos digitais e posts de redes sociais.

Metodologia

A metodologia combina exposição dialogada com análise prática de textos reais. Na primeira aula, o professor conduz a discussão com perguntas abertas e exemplos projetados, estimulando a participação ativa da turma. Na segunda, os alunos assumem o protagonismo: trabalham em duplas, tomam decisões sobre a classificação dos textos e produzem seu próprio parágrafo. Essa progressão — do coletivo para o individual — garante que os alunos tenham suporte antes de trabalhar de forma autônoma. O uso de textos autênticos torna a atividade mais significativa e conectada com o cotidiano.

  • Exposição dialogada com projeção de textos reais (manchetes, posts, trechos de artigos) e perguntas provocadoras para a turma.
  • Análise coletiva de exemplos: o professor e os alunos identificam juntos as marcas linguísticas nos textos projetados.
  • Trabalho em duplas com ficha de análise estruturada para classificar os textos recebidos.
  • Produção individual de parágrafo argumentativo a partir de um dos temas trabalhados.
  • Compartilhamento voluntário de parágrafos ao final da segunda aula para feedback coletivo rápido.

Aulas e Sequências Didáticas

As duas aulas estão organizadas de forma progressiva. A primeira constrói o repertório conceitual e linguístico dos alunos por meio de discussão coletiva. A segunda coloca esse repertório em prática, com análise em duplas e produção escrita individual. Cada aula tem um ritmo claro: abertura com provocação, desenvolvimento com atividade central e fechamento com síntese ou compartilhamento.

  • Aula 1 (40 min): Abertura com projeção de manchetes e posts reais — o professor pergunta 'isso é fato ou opinião?' e registra as respostas da turma no quadro (10 min). Apresentação dos conceitos de fato, opinião e posicionamento crítico com exemplos concretos e identificação de marcas linguísticas nos textos projetados (20 min). Discussão coletiva sobre como reconhecer intenção e ponto de vista em textos jornalísticos e digitais, com síntese no quadro (10 min).
  • Momento 1: Abertura — Fato ou Opinião? Provocando o pensamento crítico (Estimativa: 10 minutos)
    Inicie a aula projetando de três a quatro manchetes e posts reais, selecionados previamente de portais como G1, UOL, Agência Brasil e de redes sociais como Instagram ou Twitter/X. Escolha textos que misturem linguagem factual e opinativa para gerar dúvida genuína nos alunos. Exemplos sugeridos: uma manchete como 'Governo anuncia redução de 10% no desemprego' (factual), um post como 'Esse governo está destruindo o país!' (opinativo) e um trecho de artigo como 'É urgente que as autoridades tomem providências imediatas' (posicionamento crítico).

    Projete cada texto por vez e pergunte diretamente à turma: 'Isso é um fato ou uma opinião? Como você sabe?' Permita que os alunos respondam livremente, sem julgamentos, e registre as respostas no quadro branco com marcadores coloridos — use uma cor para as respostas que indicam 'fato' e outra para 'opinião'. É importante que você não corrija de imediato as respostas equivocadas; deixe a tensão produtiva acontecer, pois ela será resolvida no próximo momento. Observe se os alunos já demonstram alguma intuição sobre marcas de subjetividade, pois isso será um ponto de partida valioso para a explicação que vem a seguir. Essa abertura ativa o conhecimento prévio da turma e cria um contexto real e significativo para a aprendizagem dos conceitos.

    Momento 2: Apresentação dos conceitos e identificação de marcas linguísticas (Estimativa: 20 minutos)
    Com as respostas dos alunos ainda visíveis no quadro, apresente de forma dialogada os três conceitos centrais da aula: fato, opinião e posicionamento crítico. Evite uma exposição longa e unidirecional; prefira construir os conceitos junto com a turma, retomando os textos já projetados como âncora.

    Explique que um fato é uma informação verificável, baseada em dados, fontes e evidências concretas, geralmente expressa com linguagem impessoal e verbos no indicativo. A opinião, por sua vez, expressa o ponto de vista de alguém, carregando julgamentos de valor, e pode ser identificada por marcas linguísticas específicas. O posicionamento crítico vai além: é quando o autor não apenas opina, mas argumenta com base em razões, evidências e lógica.

    Em seguida, projete novamente os textos da abertura e conduza a turma na identificação das marcas linguísticas. Destaque nos textos projetados: verbos de opinião como 'acredito', 'considero', 'defendo'; adjetivos avaliativos como 'urgente', 'irresponsável', 'excelente'; modalizadores como 'talvez', 'certamente', 'é necessário que'; e, em contraste, as marcas de objetividade como dados numéricos, fontes citadas entre aspas e verbos no indicativo com sujeito definido. Use marcadores coloridos no quadro para sublinhar cada tipo de marca nos trechos projetados, criando um código visual claro.

    É importante que você faça perguntas durante a explicação para manter o engajamento: 'Que palavra nesse trecho mostra que o autor está julgando?' ou 'Se eu tirar esse adjetivo, a frase muda de sentido?' Permita que os alunos respondam e complementem uns aos outros. Observe se a turma está conseguindo distinguir os tipos de marcas, pois isso indicará se estão prontos para a atividade prática da Aula 2.

    Momento 3: Discussão coletiva e síntese no quadro (Estimativa: 10 minutos)
    Conduza uma discussão coletiva sobre como reconhecer a intenção e o ponto de vista do autor em textos jornalísticos e digitais. Retome as respostas iniciais dos alunos registradas no quadro e verifique com a turma quais delas se confirmaram e quais precisam ser revistas à luz dos conceitos aprendidos. Esse momento de revisão coletiva é muito poderoso para consolidar a aprendizagem e mostrar aos alunos que o pensamento pode e deve ser refinado com mais informação.

    Faça perguntas que ampliem a reflexão: 'Por que alguém escreveria um post de opinião como se fosse um fato?' ou 'Que riscos corremos quando não percebemos essa diferença no dia a dia?' Essas perguntas conectam o conteúdo com a realidade digital dos alunos e com a questão das fake news, tornando o aprendizado mais significativo.

    Ao final, construa junto com a turma uma síntese no quadro com dois blocos: 'Marcas de objetividade' e 'Marcas de subjetividade', listando os principais elementos identificados ao longo da aula. Oriente os alunos a copiarem essa síntese no caderno, pois ela servirá de apoio para a atividade prática da Aula 2. É importante que essa síntese seja clara, visual e organizada, especialmente para os alunos que dependem de recursos visuais para processar as informações.

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você está diante de uma turma diversa e isso é uma riqueza — com algumas adaptações simples, é possível garantir que todos os alunos participem com segurança e aproveitem ao máximo os momentos desta aula.

    Para os alunos com deficiência auditiva, os recursos visuais já são o centro desta aula, o que é ótimo. Sempre que possível, projete os textos com tamanho de fonte legível e mantenha os textos visíveis por tempo suficiente para leitura completa. Ao falar, posicione-se de frente para a turma, em local bem iluminado, para facilitar a leitura labial. Se houver intérprete de LIBRAS na sala, sinalize com antecedência os momentos de discussão coletiva para que o intérprete possa se preparar. Disponibilize uma cópia impressa ou digital dos textos projetados para que o aluno possa acompanhar a análise sem depender exclusivamente da projeção. A síntese no quadro ao final do Momento 3 é especialmente valiosa para esses alunos — certifique-se de que ela esteja visível e organizada antes de encerrar a aula.

    Para os alunos com Transtorno do Espectro Autista Nível 1, a estrutura clara e previsível desta aula já é um fator positivo. No início da aula, apresente brevemente o que será feito nos três momentos — isso reduz a ansiedade e ajuda o aluno a se organizar internamente. Durante as discussões coletivas, evite pressionar esses alunos a responder espontaneamente; prefira fazer perguntas diretas e gentis quando perceber que o aluno está engajado. A síntese no quadro ao final funciona como um organizador visual que oferece segurança e clareza. Se possível, entregue uma versão impressa da síntese ao final da aula para que o aluno possa consultá-la em casa e na Aula 2. Lembre-se: pequenas adaptações no ambiente e na comunicação fazem uma diferença enorme para esses alunos, e você não precisa de recursos sofisticados para isso — basta atenção e intencionalidade.

  • Aula 2 (40 min): Entrega dos textos variados e da ficha de análise para as duplas — o professor explica rapidamente o que fazer (5 min). Trabalho em duplas: leitura, identificação e classificação dos elementos nos textos (15 min). Produção individual do parágrafo argumentativo com base em um dos temas lidos (15 min). Compartilhamento voluntário de dois ou três parágrafos com feedback rápido do professor e da turma (5 min).
  • Momento 1: Apresentação dos materiais e orientações para a atividade em duplas (Estimativa: 5 minutos)
    Inicie a aula retomando brevemente a síntese construída na aula anterior — aquela com os dois blocos 'Marcas de objetividade' e 'Marcas de subjetividade'. Se possível, projete-a novamente ou peça que os alunos abram o caderno na página em que copiaram. Esse resgate rápido funciona como uma âncora cognitiva e prepara os alunos para a atividade prática que vem a seguir.

    Em seguida, organize a turma em duplas e distribua os materiais: o conjunto de três textos (uma notícia factual, um artigo de opinião e um post de rede social) e a ficha de análise estruturada. Explique com clareza e objetividade o que as duplas devem fazer: ler cada texto, identificar trechos que expressem fato, opinião ou posicionamento crítico, sublinhar as marcas linguísticas encontradas e preencher a ficha com a classificação e uma justificativa breve para cada escolha. É importante que você projete ou escreva no quadro as instruções em tópicos enquanto as explica oralmente, garantindo que todos — especialmente os alunos que dependem de recursos visuais — compreendam o que se espera deles. Informe também o tempo disponível para essa etapa (15 minutos) para que as duplas se organizem. Permita que os alunos façam perguntas rápidas antes de começar, mas evite alongar esse momento além do necessário.

    Momento 2: Trabalho em duplas — leitura, identificação e classificação dos textos (Estimativa: 15 minutos)
    Com os materiais em mãos, as duplas iniciam a leitura e a análise dos textos. Circule pela sala de forma ativa, observando o andamento do trabalho e identificando dificuldades recorrentes. Observe se os alunos estão conseguindo distinguir as marcas linguísticas de objetividade e subjetividade ou se estão classificando os textos apenas pela intuição, sem recorrer às marcas. Quando perceber esse padrão, intervenha de forma pontual e gentil: aponte um trecho específico do texto e pergunte 'Que palavra nesse trecho indica que o autor está julgando?' ou 'Essa informação tem uma fonte citada? O que isso diz sobre o tipo de linguagem?'

    É importante que você não resolva a atividade pelos alunos, mas sim faça perguntas que os levem a pensar. Esse tipo de intervenção socrática é muito mais eficaz para desenvolver o pensamento crítico do que simplesmente dar a resposta. Se perceber que uma dupla terminou antes do tempo, incentive-a a revisar as justificativas escritas na ficha, verificando se estão coerentes e bem fundamentadas. Ao longo dessa circulação, já vá observando quais duplas produziram análises interessantes ou apresentaram dificuldades que merecem ser discutidas coletivamente — isso será útil no Momento 4. Ao final dos 15 minutos, sinalize para a turma que o tempo da atividade em duplas encerrou e que é hora de passar para a produção individual.

    Momento 3: Produção individual do parágrafo argumentativo (Estimativa: 15 minutos)
    Oriente os alunos a escolherem um dos temas presentes nos textos trabalhados — por exemplo, o uso de redes sociais por adolescentes, a cobertura midiática de eventos políticos ou outro tema presente nos materiais selecionados — e a escreverem individualmente um parágrafo argumentativo expressando seu próprio posicionamento. Relembre brevemente a estrutura esperada: tese clara (o que o aluno defende), pelo menos um argumento de apoio (razão ou evidência que sustenta a tese) e uma frase de conclusão ou retomada da tese. Se julgar necessário, escreva essa estrutura no quadro como referência visual.

    Reforce que o parágrafo deve refletir o ponto de vista do próprio aluno, com base nos textos lidos, e não apenas resumir o que foi lido. Isso é fundamental para que a produção funcione como uma avaliação somativa real da aprendizagem. Durante esse momento, circule pela sala observando o desenvolvimento das produções. Intervenha quando perceber que um aluno está apenas descrevendo o tema sem defender uma posição, sugerindo: 'Você está descrevendo muito bem o tema — agora me diga: o que você acha sobre isso? Qual é a sua posição?' Permita que os alunos consultem a ficha de análise e a síntese do caderno como apoio, pois isso demonstra uso estratégico dos recursos de aprendizagem. Recolha os parágrafos ao final do tempo ou peça que os alunos os guardem para entrega ao final da aula.

    Momento 4: Compartilhamento voluntário e feedback coletivo (Estimativa: 5 minutos)
    Convide dois ou três alunos que se sentirem à vontade para ler seu parágrafo em voz alta para a turma. É importante que a participação seja voluntária, sem pressão, especialmente para os alunos que têm maior dificuldade com exposição oral. Após cada leitura, conduza um feedback rápido e estruturado: primeiro, destaque um ponto positivo do parágrafo — uma tese bem formulada, um argumento sólido, um conectivo bem usado — e, em seguida, aponte com gentileza um aspecto que poderia ser aprimorado. Incentive a turma a também contribuir com observações respeitosas, reforçando a cultura de escuta ativa e respeito às diferentes opiniões.

    Encerre a aula fazendo uma síntese oral breve dos aprendizados das duas aulas: a diferença entre fato, opinião e posicionamento crítico; as marcas linguísticas que revelam a intencionalidade do autor; e a importância de ler o mundo com mais cuidado, especialmente no ambiente digital. Conecte esse aprendizado com o ENEM, lembrando os alunos de que essas habilidades são diretamente exigidas tanto na leitura dos textos motivadores quanto na escrita da redação dissertativo-argumentativa. Finalize com uma pergunta reflexiva para levar para casa: 'Da próxima vez que você ler uma notícia ou um post, o que você vai observar antes de acreditar ou compartilhar?'

    Estratégias de inclusão e acessibilidade:
    Você tem em sua turma alunos com deficiência auditiva e alunos com Transtorno do Espectro Autista Nível 1, e algumas adaptações simples — que não exigem recursos sofisticados — podem fazer uma diferença enorme na participação e no aprendizado de todos.

    Para os alunos com deficiência auditiva, garanta que todas as instruções orais do Momento 1 estejam também registradas visualmente no quadro ou projetadas, em tópicos claros e com fonte legível. Durante a circulação nos Momentos 2 e 3, ao se aproximar desses alunos para orientá-los, posicione-se de frente e em local iluminado para facilitar a leitura labial. Certifique-se de que esses alunos recebam uma cópia impressa dos textos e da ficha de análise — nunca dependa apenas da projeção para eles. Se houver intérprete de LIBRAS na sala, sinalize com antecedência os momentos de fala coletiva, especialmente o Momento 4, para que o intérprete possa acompanhar as leituras dos parágrafos e os feedbacks. A estrutura escrita e visual desta aula já é naturalmente acessível — o que você precisa é garantir que nenhum momento dependa exclusivamente da comunicação oral.

    Para os alunos com TEA Nível 1, a estrutura clara e previsível desta aula é um ponto muito positivo. No início do Momento 1, apresente brevemente o roteiro da aula — 'Hoje vamos trabalhar em duplas por 15 minutos, depois cada um escreve um parágrafo por 15 minutos e, no final, alguns alunos compartilham o que escreveram' — pois isso reduz a ansiedade e ajuda o aluno a se organizar internamente. Durante o trabalho em duplas, se possível, forme a dupla desse aluno com um colega que tenha um perfil colaborativo e paciente. No Momento 3, a produção individual pode ser um momento mais confortável para esses alunos do que a interação em dupla — valorize isso. No Momento 4, nunca convide diretamente esses alunos para ler em voz alta; respeite a voluntariedade. Se o aluno demonstrar interesse em participar, acolha com entusiasmo. Lembre-se: sua atenção e intencionalidade já são os maiores recursos de inclusão que você tem à disposição.

Avaliação

A avaliação dessa atividade acontece em dois momentos. O primeiro é formativo, durante a análise em duplas na segunda aula: o professor circula pela sala, observa as fichas preenchidas e faz perguntas pontuais para verificar a compreensão. O segundo é somativo, com a leitura do parágrafo argumentativo produzido individualmente. Para alunos com deficiência auditiva, o feedback pode ser dado por escrito ou por meio do intérprete de LIBRAS. Para alunos com TEA nível 1, critérios claros e objetivos ajudam a reduzir a ansiedade na hora da avaliação.

  • Avaliação formativa — Ficha de análise em duplas: Objetivo: verificar se os alunos conseguem identificar e classificar fato, opinião e posicionamento crítico nos textos. Critérios: identificação correta das marcas linguísticas; justificativa coerente para a classificação escolhida; participação ativa na dupla. Exemplo prático: a dupla recebe um artigo de opinião e uma notícia e preenche a ficha indicando quais trechos são factuais e quais expressam julgamento de valor, com justificativa.
  • Avaliação somativa — Parágrafo argumentativo individual: Objetivo: avaliar se o aluno consegue expressar seu próprio posicionamento crítico de forma coesa e argumentada. Critérios: presença de tese clara; pelo menos um argumento de apoio; uso adequado de conectivos; coerência com o tema lido. Exemplo prático: o aluno escolhe um dos temas trabalhados (ex: uso de redes sociais por adolescentes) e escreve um parágrafo defendendo seu ponto de vista com base nos textos lidos.

Materiais e ferramentas:

Os recursos escolhidos para essa atividade são simples e acessíveis, mas fazem toda a diferença na qualidade da experiência dos alunos. Textos reais de portais jornalísticos e redes sociais tornam a atividade concreta e relevante. A ficha de análise estruturada oferece suporte para alunos que precisam de mais organização, como os alunos com TEA nível 1. A projeção dos textos na primeira aula garante que todos acompanhem ao mesmo tempo, o que é especialmente importante para alunos com deficiência auditiva.

  • Projetor ou TV com entrada HDMI para exibir textos e manchetes na primeira aula.
  • Textos impressos ou digitais: uma notícia factual, um artigo de opinião e um post de rede social (selecionados pelo professor antes da aula).
  • Ficha de análise estruturada (impressa) com campos para identificação de fato, opinião e marcas linguísticas.
  • Quadro branco e marcadores coloridos para registrar as respostas da turma durante a discussão coletiva.
  • Folha de papel ou caderno para a produção do parágrafo argumentativo individual.

Inclusão e acessibilidade

Adaptar essa atividade para a turma não exige grandes mudanças — pequenos ajustes já fazem muita diferença. Para os alunos com deficiência auditiva, o ponto central é garantir que tudo que for falado também esteja visível: os textos projetados, as anotações no quadro e os critérios de avaliação escritos. Se houver intérprete de LIBRAS, o professor deve posicionar-se de frente para a turma e evitar falar de costas. Para os alunos com TEA nível 1, a ficha de análise estruturada já é um grande apoio — ela deixa claro o que se espera em cada etapa. Manter a rotina das aulas previsível e avisar com antecedência sobre mudanças também ajuda. Fique atento se algum aluno demonstrar desconforto com o trabalho em dupla — nesses casos, o trabalho individual é uma alternativa válida.

  • Garantir que todos os textos usados na aula estejam disponíveis de forma visual (projetados ou impressos), sem depender apenas da fala do professor.
  • Posicionar o professor sempre de frente para a turma durante explicações, facilitando a leitura labial para alunos com deficiência auditiva.
  • Disponibilizar a ficha de análise impressa com instruções claras e objetivas, reduzindo a dependência de explicações orais.
  • Informar os alunos com TEA nível 1 sobre a estrutura da aula no início de cada encontro (ex: 'hoje vamos fazer isso, depois isso').
  • Permitir que alunos com TEA nível 1 que se sentirem desconfortáveis com o trabalho em dupla realizem a atividade individualmente, sem penalização.
  • Selecionar textos que representem diferentes perspectivas culturais e sociais, evitando reforçar estereótipos ou visões únicas de mundo.
  • Oferecer feedback escrito para alunos com deficiência auditiva, garantindo que as orientações de melhoria sejam acessíveis.
  • Evitar usar vídeos ou áudios sem legenda — se necessário incluir algum recurso audiovisual, garantir legendas em português.

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